quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

OBESIDADE TAMBÉM ATRAPALHA A FERTILIDADE

Não é de hoje que temos batido na tecla de que os novos hábitos de vida tem atrapalhado a reprodução humana: tabagismo,  consumo de álcool e drogas, estresse, maior número de parceiros e obesidade. O que talvez poucos saibam é que a obesidade é prejudicial tanto para homens e mulheres. 

Estudo realizado por cientistas australianos e ingleses, publicado na revista The Lancet, em 2007 mostrou que os crescentes níveis de obesidade terão como consequência o aumento de casos de infertilidade entre as mulheres e homens, principalmente em países desenvolvidos. A estimativa é que esse número aumentará em 20% o número de casais que precisarão recorrer a tratamentos de reprodução assistida. De acordo com o artigo, a obesidade tem um efeito substancial na manifestação da síndrome dos ovários policísticos. Não levando em consideração às complicações inerentes a obesidade na gravidez em si.
Ainda nesta pesquisa revela que homens obesos são acometidos da perda de níveis de testosterona, o hormônio masculino mais relacionado com fertilidade e ato sexual, e da quantidade de espermatozoides devido a aproximação do testículo ao corpo e assim aumento de sua temperatura, aumentando os níveis de homens inférteis.
A título de ilustração, hoje calculasse que os EUA têm aproximadamente 35% de toda sua população com sobre peso ou obesidade.
Não há como negar que perder peso é difícil, mas que isto seja mais um motivador do processo como um todo. Emagreça para ter (além de uma ótima saúde) filhos!

+Vamberto Maia Filho

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

RESPOSTA OVARIANA: COMO TENTAR PREDIZER O QUE ACONTECERÁ.

Quem não gostaria de saber o futuro? Na vida como na ciência isto seria maravilhoso. Com a busca por uma gestação mais tardia isto tem sido muito importante para quem faz reprodução humana. Os marcadores de resposta ovariana são ferramentas úteis no contexto da estimulação ovariana controlada (EOC), não só para prever a resposta à estimulação, mas também para definir uma estratégia de tratamento individualizada. Apesar de vários marcadores disponíveis, incluindo os hormonais, funcionais e genéticos, dois deles, especificamente hormônio anti-mulleriano (AMH) e a contagem de folículos antrais (AFC), têm dominado o cenário clínico nos últimos anos.
AMH e AFC são válidos porque eles podem identificar com precisão semelhante (~ 80%), os pacientes com reserva ovariana diminuída e aqueles em risco de resposta excessiva (SHOO). Ao contrário de FSH e da inibina B, o AMH se correlaciona com o número de folículos existentes em fase independentes fases da menstruação. AMH tem baixa variabilidade intra e inter ciclo, o que faz com que seja possível avaliar os seus níveis em qualquer dia do ciclo e em uma única medida. Em contraste, o AFC avalia a coorte de folículos na fase inicial da menstruação daquele ciclo e é um excelente preditor de resposta à estimulação que será realizada. Estes folículos são facilmente detectados ao ultrassom transvaginal e assim a perspectiva de resposta a estimulação fica mais clara. O número de folículos no início do ciclo representa a reserva ovariana daquele momento. 


A principal utilidade clínica da AMH e AFC é ajudar os médicos a identificar corretamente os pacientes em risco de resposta elevada e baixa, e, portanto, individualizar EOC. Um exemplo é a utilização de baixas doses iniciais de medicação em mulheres identificadas como em risco de resposta excessiva. Essa abordagem tem demonstrado bons resultados minimizando riscos de SHOO e melhorando o custo-eficiência dos tratamentos em baixas respondedoras.


Infelizmente para gravidez nenhum dos marcadores são indicadores precisos. Resposta ovariana à EOC reflete a reserva ovariana, mas a ocorrência de gravidez após tratamento está relacionada a vários fatores, incluindo a reserva ovariana, qualidade dos óvulos, qualidade do embrião, receptividade endometrial, problemas de saúde, causas da infertilidade e outros. Saber o que esta por vir é importante para que os casais se sintam seguros e confiantes diante do nebuloso. Acreditar no seu médico e na estrutura é ainda um importante passo no sucesso do tratamento.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

GRANDE PREOCUPAÇÃO PELO CUSTO DA FERTILIZAÇÃO IN VITRO

Quem procura tratamento sabe o quanto é caro tratar da infertilidade e isto tem sido até confirmado em trabalhos científicos que mostraram que o custo da fertilização in vitro (FIV) é uma grande preocupação para os futuros pais. A maior parte da população mundial não tem o direito a tratamentos de infertilidade gratuitos ou de custo reduzido. No Reino Unido, são disponibilizados no NHS até três ciclos de FIV. 


No Brasil foram entrevistaram mais de 5.000 pacientes para identificar a maior e principal preocupação quanto à realização da FIV. Dentre as opções: o risco de gestação múltipla, as possibilidades de malformação, o preconceito social, a religião ou as decisões sobre embriões supranumerários, o que mais preocupou foram os custos financeiros para a esmagadora maioria (83%) que colocou a parte financeira no topo da sua lista de preocupações. Os resultados foram apresentados no 21º Congresso Mundial da Federação Internacional de Sociedades de Fertilidade em Boston, Massachusetts, EUA.

É provável que muitos casais inférteis não procurem ou interrompam o tratamento por causa de recursos financeiros limitados. Portanto, o desenvolvimento de estratégias de tratamentos que envolvam economia de custos é de fundamental importância a fim de oferecer um tratamento de infertilidade acessível aos casais em uma situação econômica menos favorável.

Quando se fala em custos é preciso entender que existem 2 participantes nesta história: a parte clinica (que envolve tudo de um centro de reprodução: staff, laboratório, infraestrutura e tecnologia... ) e a parte medicamentosa. Ambas quase igualmente caras no processo (algo como 3/5 clinica e 2/5 medicação do valor final do tratamento).

No Brasil alguns centros de reprodução humana estão se valendo de programas para ajudar a estes casais bem como os laboratórios, que cientes do seu papel, também estão procurando estabelecer programas de acesso a um custo menor as medicações usadas. O grande problema é fazer isso sem diminuir a qualidade do serviço prestado, já que falamos em uma tecnologia laboratorial muito cara e em constante renovação.

Atualmente, estima-se que a porcentagem de atendimentos realizados em serviços públicos de reprodução humana assistida não chegue a 5%. Os pacientes, casais inférteis que necessitam de tratamento de alta complexidade, como a FIV, normalmente recorrem às clínicas privadas. No Brasil são realizados cerca de 25 mil FIV ao ano. O serviço publico atende menos de 1.800 casos/ano.

Particularmente este é meu plano para breve.

Fonte: doctors.net.uk 


 Iconelli, A. Jr. et al. Main Concerns Regarding In Vitro Fertilization Techniques: Result of a Website Survey. Presented at the International Federation of Fertility Societies 21st World Congress on Fertility and Sterility, taking place in Boston, USA, from 12th to 17th October 2013.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

ENDOMETRIOSE EM ADOLESCENTES

Dentre tantos desafios na condução das pacientes com endometriose, uma situação particular é este enfrentamento nas mulheres jovens, na fase inicial da vida menstrual. Se a endometriose é vista como uma doença crônica e progressiva, que tem como consequências várias formas de dor pélvica e a infertilidade, sua ocorrência em adolescentes pode significar um prognóstico duvidoso quanto à fertilidade e à qualidade de vida. Na condução destas jovens nos deparamos com dúvidas clínicas básicas sobre o diagnóstico e o tratamento, pois, além das incertezas sobre a própria doença, também há incertezas quanto às complicações e efeitos adversos dos tratamentos cirúrgicos e hormonais nesta faixa etária.
Estima-se que a incidência de endometriose esteja em torno de 5% a 10% das mulheres em fase reprodutiva, porém a ocorrência específica em adolescentes é desconhecida. Há relatos de casos de achados operatórios de endometriose em jovens mesmo antes da menarca (Marsh & Loufler, 2005; Gogacz et al., 2012).  Sabe-se que 66% das mulheres adultas com endometriose relataram que seus sintomas iniciaram antes dos 20 anos de idade e, quando começavam na adolescência, passaram por quatro médicos ou mais até firmar o diagnóstico (ACOG, 2005; Ballweg, 2003). Portanto, o diagnóstico deve valorizar a queixa da dismenorreia nas jovens, especialmente quando esta dor tem intensidade forte ponto de interferir no seu cotidiano, levando a faltar às aulas repetidas vezes durante a menstruação Parker et al., 2010). Tanto a dor cíclica como acíclica têm importância na suspeita clínica, pois ambos estavam presentes nas adolescentes com diagnóstico de endometriose (ACOG, 2005). 


O parentesco de primeiro grau (mãe e irmãs) deve ser considerado na avaliação clínica já que aumenta as chances da  doença em 6,9% quando comparada ao risco de apenas 1% da população controle (Simpson et al., 980). O exame físico pouco colabora no diagnóstico, além da ausência de achados na endometriose peritoneal inicial, muitas vezes há limitação no toque vaginal naquelas jovens que não iniciaram a vida sexual, enquanto o toque retal pouco acrescenta na doença da adolescente. Os exames complementares de imagem, tais como a ultrassonografia e a ressonância magnética da pelve são de relevância. Primeiramente para investigação de anormalidades Mullerianas. As malformações do útero são causas importantes de dismenorreia a partir da menarca e levam à menstruação retrógrada, fator envolvido na etiopatogenia da endometriose (Sampson, 1940; Sanfilippo et al., 1986). Nas mulheres com endometriose antes dos 20 anos, 11% a 40% tinham anomalias do trato genital inferior (Schifrin et al., 1973; Goldestein  et al., 1979).
Os exames de imagem são importantes também para o reconhecimento de endometriomas ovarianos e para o diagnóstico diferencial de outras massas anexiais prevalentes também na adolescência, por exemplo, teratomas. A dosagem sérica de CA-125 não tem especificidade para o diagnóstico de endometriose, sendo dispensável nas adolescentes (ACOG, 2005; Solnik, 2006). Diante de dismenorreia grave com suspeita de endometriose, sem massas pélvicas, inicia-se o tratamento com anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e com anticoncepcional oral combinado (ACOc) com planejamento de revisão clínica em três a seis meses (ACOG, 2005; Dovey & Sanfilippo, 2010). Nesta fase é melhor o uso do ACOc cíclico para avaliar a resposta à terapêutica durante o fluxo menstrual, postergando o uso ACOc contínuo. A laparoscopia deve ser indicada quando há massa anexial para diagnóstico diferencial e terapêutica cirúrgica ou quando não ocorreu resposta ao tratamento clínico, isto é, persiste a dor pélvica apesar do uso de AINEs e ACOc. A endometriose foi encontrada em 70% a 73% das adolescentes submetidas a laparoscopia para investigação de dismenorreia (Reese et al., 1996; Laufer et al., 1997), e em 40% nos casos de dor pélvica crônica (Goldestein et al., 1980). Os achados laparoscópicos da endometriose nas adolescentes geralmente são implantes peritoniais jovens (vermelhos e glandulares), estadiamentos iniciais: I e II (Shah & Missmer, 2011). Estas lesões são ricas em prostraglandinas justificando o quadro álgico. Estes implantes devem ser tratados cirurgicamente por ablação ou ressecção após obtenção de material de biópsia para confirmação anatomopatológica.
A endometriose é um processo crônico e o tratamento clínico deve ser mantido por longo prazo. As adolescentes devem ser medicadas com ACOc contínuo ou cíclico (Daves et al., Cochrane, 2007). Vercelline et al. (1997) demonstram melhor eficácia com ACOc em uso contínuo sobre o cíclico no tratamento da dor. Embora os progestágenos sejam eficazes, independentemente da via de administração, seu uso prolongado em adolescentes pode ter efeito deletério na mineralização óssea devido ao hipoestrogenismo secundário, além de ganho ponderal, influências negativas no humor e sangramento uterino anormal. Os análogos de GnRH não devem ser administrados em adolescentes, especialmente antes de 16 anos, com a massa óssea ainda em formação. Em caso de uso antes dos 20 anos, deve-se associar vitamina D, cálcio, e monitorizar a densidade óssea (Dovey & Sanfilippo, 2010). Não há evidência científica que demonstre se as intervenções terapêuticas nas adolescentes irão prevenir as sequelas no longo prazo, tais como a dor e a infertilidade na sua vida adulta (Shah & Mismer, 2011). No entanto, até que a literatura médica responda a estas questões, é papel do ginecologista oferecer alívio, apoio e seguimento a estas jovens que padecem precocemente de dor e endometriose.


Fonte Jornal da Febrasgo: Ivete de Ávila Presidente da Comissão Nacional de Endometriose da Febrasgo

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

NO PÓS-PARTO, CINTA TRAZ CONFORTO, MAS NÃO PÕE A BARRIGA NO LUGAR

Com muitos modelos diferentes à disposição no mercado, a cinta para o pós-parto é, para muitas mulheres, item indispensável no armário para os primeiros passos após o fim da gravidez. O uso do acessório é recomendado para dar conforto e segurança de movimento para as novas mamães, além de ajudar a afinar a silhueta. Mas,  a peça não tem nenhuma função médica.

A cinta traz também uma vantagem estética para as mulheres preocupadas com sua forma após a gravidez, proporcionando uma redução momentânea do abdômen. Não se deve, contudo, acreditar que a peça ajudará a diminuir a barriga em longo prazo.

A mulher que deseja usar a cinta deve tomar alguns cuidados. O primeiro deles é conversar com seu médico a esse respeito. Quadros como sangramento acima do normal e ferida operatória infectada não permitem o uso da peça.

No caso do uso do acessório ser permitido pelo médico, outro cuidado importante é não vesti-lo logo após o parto, a mulher deve esperar que seu intestino volte a funcionar normalmente.

Ao colocar a cinta, não se deve comprimir demais o corpo. Uma cinta justa demais pode, além de causar incômodo, prejudicar a circulação. É importante também observar se a cinta está colocada corretamente.

Conforto é uma palavra importante e vai determinar a escolha da cinta a ser usada. Dependendo do modelo, do tamanho e do grau de compressão, ela pode, em vez de aliviar, trazer um incômodo acentuado, justamente, na região do corte da cesárea.
É importante que a cinta seja confortável, sem provocar compressão excessiva em região alguma. O ideal é evitar tecidos sintéticos, que podem provocar alergias. Além da necessidade de ser da fácil uso, praticidade é imperativo. As peças que vão até as pernas, como um short, são menos práticas porque precisam ser tiradas sempre que a mulher for ao banheiro, e as que cobrem todo o corpo, incluindo os seios, também não são as mais indicadas por causa da rotina de amamentação. Cabe, no entanto, à mulher decidir em qual peça se sente mais à vontade.

Juliana Zambelo
Do UOL, em São Paulo

http://mulher.uol.com.br/gravidez-e-filhos/noticias/redacao/2013/08/05/no-pos-parto-cinta-traz-conforto-mas-nao-poe-a-barriga-no-lugar.htm

terça-feira, 30 de julho de 2013

ATÉ PRESOS POLÍTICOS!

O mundo da reprodução “pode” não ter barreiras mesmo.
Médico palestino diz que trafica esperma de presos. O palestino Ammar al Ziben, 38, está detido há 16 anos em Israel. Cumpre 27 sentenças de prisão perpétua e está proibido de receber visitas íntimas. Ammar dizia à mulher, separado dela por um vidro, que já se considerava morto, incapacitado de dar continuidade à linhagem familiar. Até que um recente esquema de contrabando de esperma e fertilização in vitro culminou, segundo o médico responsável, no nascimento de um pequeno garoto chamado Muhannad. Seu filho. 


Seria o resultado de uma amostra de sêmen traficada de dentro de uma prisão para um laboratório, desafiando as autoridades penitenciárias israelenses. Mas o garoto é também fruto da defesa do médico Salim Abu Khaizaran, 56, de que é preciso mitigar o que considera o drama familiar dos mais de 4.700 prisioneiros palestinos em Israel.
"Somos uma sociedade conservadora e gostamos de ter filhos``, diz à Folha. ``Há uma pressão muito grande sobre as mulheres. Em alguns casos, se o marido é solto, elas já não estão mais no período fértil e têm de aceitar que ele se case de novo."
A ideia de contrabandear sêmen dos palestinos partiu das lideranças presidiárias, que procuraram Abu Khaizaran para perguntar a ele se a fertilização seria viável do ponto de vista técnico. O médico, por sua vez, consultou as autoridades islâmicas para investigar se a fertilização seria aceita religiosamente. Seria, e um pronunciamento legal ("fatwa") foi emitido a seu favor.
Foi a vez de Dallal al Ziben, mulher de Ammar, ir à clínica e pedir que Abu Khaizaran lhe ajudasse a realizar o sonho do marido: ter um filho. Antes da prisão, ele já tinha gerado duas meninas.
A ideia veio a Ammar em 2004, depois da morte de sua mãe, então em greve de fome pela libertação do filho. “Ele queria trazer uma pessoa à vida”, diz Dallal, 32. ”No começo eu estava hesitante. Pensava em como as pessoas iriam olhar para mim, grávida, sabendo que meu marido está na prisão.”
Encorajada pela família e pelo vilarejo de Maythalun, aceitou. Segundo ela, foram necessárias três tentativas, incluindo um fracasso na fertilização e um aborto natural. “Que ninguém pense que foi fácil. Foi muito doloroso, e não sei se faria de novo”, diz.
Muhannad foi recebido com alegria na vila, “como se fosse uma festa de casamento”, conta. Para o marido, diz, significou uma razão para lutar pela soltura. Ammar foi preso em 1997, condenado pela acusação de treinar homens-bomba, de acordo com a sua mulher.
Segundo o médico, outras oito mulheres estão grávidas após passarem pelo mesmo procedimento. Na clínica, diz Abu Khaizaran, existem mais de 60 amostras de esperma de prisioneiros palestinos congeladas. O médico e Dallal se recusaram a explicar de que maneira o sêmen é traficado e em que condições é retirado.
Procurada pela Folha, a autoridade penitenciária israelense diz que o contrabando de sêmen na prisão seria “muito difícil” de ocorrer. Mas não impossível. “As condições de visita são restritivas, e só as crianças de até oito anos podem tocar os prisioneiros”, diz a porta-voz Sivan Weizman. “Estão sempre sob vigilância.” Mas as crianças não são revistadas ao sair.
Weizman afirma que a proibição a visitas íntimas é por segurança. “Visitantes podem trazer outras coisas, como um telefone, uma arma”, diz.
No quesito técnico, a fertilização in vitro com o sêmen tirado da prisão seria também viável, de acordo com especialistas consultados pela Folha.
Antes de congelar a amostra, Abu Khaizaran exige que duas testemunhas do marido e duas da mulher confirmem qual é a autoria do sêmen.
Os prisioneiros palestinos são um dos assuntos-chave para a retomada das negociações entre árabes e israelenses. O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, exige que parte dos detentos seja solta.
Se para Israel eles são considerados terroristas, para palestinos os presidiários são encarados como heróis da resistência à ocupação.
Quando morrem na prisão, eles são enterrados como mártires, caso no início do mês de Maysara Abu Hamdiyeh --vítima de um câncer de esôfago, pelo qual ele era tratado em hospital.
O assunto estará especialmente em foco nesta semana. No dia 17, é relembrado o “dia do prisioneiro” nos territórios palestinos, e há manifestações programadas.
“É uma questão emocional”, diz Abu Khaizaran. “Somos uma comunidade pequena, e todos conhecem alguém que está na prisão.”
Ele afirma que não cobra pelos procedimentos médicos e que por causa disso tem grande prejuízo.
Também afirma que recusa o apoio oferecido pelos grupos políticos Hamas e Fatah, pois não quer “politizar o assunto”.
“Que tipo de pessoa eu seria se pedisse dinheiro para essas famílias?”
Especialistas afirmam que método é viável
Não há detalhes de como é feito o transporte do sêmen entre a prisão e a clínica de Abu Khaizaran. Mas médicos ouvidos pela reportagem afirmam que, caso não haja longo tempo entre a ejaculação e o congelamento, a fertilização é tecnicamente viável.
A fertilização in vitro, método usado por Abu Khaizaran, é a técnica mais sofisticada na reprodução assistida. É feita em laboratório, inserindo um espermatozoide em um óvulo e, em seguida, o embrião no útero.



Fonte: Folha de S.Paulo / DIOGO BERCITO, ENVIADO ESPECIAL A NABLUS (CISJORDÂNIA)

quarta-feira, 12 de junho de 2013

EUA ATUALIZA AS DIRETRIZES PARA A PRESERVAÇÃO DA FERTILIDADE EM PACIENTES COM CÂNCER

A Sociedade Americana de Oncologia Clínica (com a sigla ASCO, devido ao seu nome em inglês) divulgou as diretrizes atualizadas sobre a preservação da fertilidade em adultos e crianças com câncer.
No novo texto, os especialistas destacam cinco recomendações. 

Em primeiro lugar, a ASCO reconhece a criopreservação de oócitos como técnica padronizada.
Em segundo lugar, o painel redator das diretrizes “reconhece as novas abordagens de estimulação ovariana para preservar a fertilidade com a criopreservação de embriões ou óvulos. As preocupações com a segurança e os potenciais atrasos foram duas das principais razões pelas quais os oncologistas eram menos propensos a referir os seus pacientes a especialistas em preservação da fertilidade. Estudos recentes abordaram duas questões.
As novas diretrizes também abordaram as questões específicas daquelas pacientes portadoras de uma mutação no gene BRCA. Essas mulheres tendem a ter uma menopausa precoce, uma baixa reserva ovariana e são mais propensas a perder essa reserva pela quimioterapia. Por isso, as mulheres com mutações de BRCA devem ser mais proativas para a preservação da fertilidade. Além disso, as técnicas de diagnóstico genético pré-implantação permitem avaliar os embriões geneticamente portadores dessas mutações e, assim, evitar a transferência da mutação para as suas crianças.
A quarta nova recomendação é sobre o aconselhamento em preservação da fertilidade, todos os pacientes jovens com câncer, incluindo os pais de crianças com câncer, sem se importar se neste momento existe interesse em ter filhos, devem receber orientação sobre o efeito dos tratamentos do câncer sobre a fertilidade e as opções para preservá-la.
Mas também advertiu que as opções para crianças pré-púberes ainda são experimentais. As meninas podem ser de tecido ovariano criopreservado. Para os meninos pode-se retirar o tecido testicular com uma técnica simples, em 15 minutos, a nível ambulatorial, e juntamento com outros procedimentos necessários para reduzir o desconforto.
Finalmente, as diretrizes afirmam que não existe um método hormonal comprovadamente eficaz para preservar a fertilidade. Portanto, promovem o uso de métodos conhecidos para a criopreservação de embriões e ovócitos. Quando isso não for possível, pode se considerar o uso de métodos experimentais, como o congelamento de tecido ovariano e testicular, em protocolos de pesquisau. 
As diretrizes anteriores eram de 2006; a nova versão foi publicada esta semana na edição online do Journal of Clinical Oncology.
Embora não apareça nas diretrizes, um estudo concorrente ajustou as taxas de sucesso do congelamento de óvulos para cada idade.
Com uma calculadora online, os pacientes e os médicos podem avaliar a possibilidade de cada mulher engravidar, com os óvulos congelados. A calculadora está disponível em http://i-fertility.net/index.php/probability-calc.
As orientações indicam que, como acontece com outras potenciais complicações do tratamento de câncer, todos os médicos têm a responsabilidade de informar seus pacientes sobre como o tratamento pode afetar, permanentemente, a fertilidade.
Além disso, as diretrizes afirmam que embora o ideal seja que os pacientes falem sobre esses riscos e as opções disponíveis antes de iniciar o tratamento, devem saber que existem outras opções para começar uma família depois do câncer. Isso inclui a barriga de aluguel, a doação de embriões, de óvulos e de espermatozóides e a adoção.

Referências:
Journal of Clinical Oncology, mayo del 2013
Copyright 2013 Medcenter. 

Fonte: Reuters

segunda-feira, 13 de maio de 2013

O CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA E A NOVA RESOLUÇÃO

O Conselho Federal de Medicina (CFM) esta cada vez mais atuante quanto as praticas de reprodução assistida. Recentemente emitiu mais uma portaria (RESOLUÇÃO CFM Nº 2.013/13) que traz uma serie de mudanças, algumas polemicas. A principal se refere a nova norma que restringe a 50 anos a idade máxima para tratamentos de infertilidade.

É importante entender o que se trata. O CFM esta usando dados que relatam, corretamente, que, acima desta idade, doenças como o diabetes gestacional e a hipertensão, além dos partos prematuros, são mais frequentes e se tornam um risco real para todos, mãe e filho. A de se salientar que uma mãe após os 50 anos pode não ter condição física de criar seus filhos bem como poderá deixar seu filho órfão de forma prematura. Existe um casal muito divulgado de uma mãe na Europa que teve câncer de mama e faleceu deixando órfãos seus filhos ainda bebês.

Particularmente vejo estas atitudes com bons olhos. O CFM esta atento ao que esta mudança de comportamento e esta se posicionando. Perfeito. Todavia acho que devemos também atender o direito legitimo de cada família em ter seus filhos na hora que desejar. O CFM esta atento  e poderá avaliar casos específicos. 


“Fiquei indignada ao saber desta história toda” . Foi o e-mail que recebi de uma paciente que esta buscando o direito de ser mãe através de uma técnica chamada de “útero de substituição” onde sua mãe irá gestar seu embrião e que já tinha seu caso sendo avaliado pelo CFM. Entendo perfeitamente seu desagravo, mas teremos que iniciar um novo processo nesta luta.

Acho que vamos ter que nos adaptar e certamente muitos casos serão avaliados pelo CFM, contudo esta nova lei traz avanços nos quesitos descarte de embriões algo ainda muito questionado pelos casais; inclusão de possibilidade de casais homoafetivos; além de possibilidade de doação compartilhada de óvulos o que antes era contestada pelo CFM.

Algumas das principais alterações da nova resolução do CFM

IDADE – Antes não havia limite de idade para se submeter às técnicas de fertilização in vitro. Com a nova norma, a mulher deve ter até 50 anos. Acima desta idade, é preciso pedir um parecer ao Conselho Regional de Medicina.

CASAIS HOMOSSEXUAIS –A partir de agora a resolução é clara quanto a possibilidade de solteiros e homoafetivos buscarem uma gravidez.

DESCARTE DE EMBRIÕES – Antes havia uma lacuna neste tópico. Embriões poderiam ser doados para outros casais ou para pesquisas após três anos do congelamento (após longo embate no STF). Com a nova regra, os embriões criopreservados podem ser descartados após 5 anos, se os pacientes desejarem. A doação para outros casais ou para pesquisas permanece.


sexta-feira, 15 de março de 2013

NA CABEÇA DOS CASAIS INFÉRTEIS

Durante estes anos que venho trabalhando com infertilidade conjugal um dos problemas que mais me causa desconforto é quando o casal vem já desunido. Não é incomum que no consultório me depare com casais em nítido pé de guerra: acusações, brigas e xingamentos. O famoso ”eu não tenho nada, o problema é com ele (a)”.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), homens e mulheres experimentam sérios danos psicológicos quando passam pela situação de problemas de reprodução, incluindo: baixa autoestima, isolamento, perda de controle, inadequação sexual e depressão. Por isso a OMS considera a infertilidade como fonte de redução de saúde e bem-estar social
Acho que para piorar, alguns serviços de reprodução humana, por uma questão própria, são impessoais o que piora a situação. Estagiários, residentes e curiosos se sucedem no atendimento. Sem um médico a frente de toda a questão muitos casais se sentem desconfortáveis. –“O Sr. me acompanhará em todo tratamento não é?”, é outra pergunta clássica. 
Em nosso serviço não há psicólogos fixos, mas temos uma retaguarda importante para estes casos e com resultados interessantes. Tornar a consulta um momento relaxado e acolhedor tornará o caminho mais fácil. Fico emocionado em ter pacientes que se tornaram amigos e de poder participar do crescimento dos bebes por fotos que me enviam carinhosamente e visitas que causam sensação em toda equipe (quer ver alguns: http://vambertomaia.com/galeria.html).
Acredito que o médico engajado e disponível torne este tratamento tão difícil e de ainda taxas de sucesso limitado em um suporte psicológico importante e imprescindível para que o sucesso advenha.

sexta-feira, 1 de março de 2013

DIAGNÓSTICO PRÉ-IMPLANTACIONAL

Muitos casais me procuram com uma preocupação legitima. Não querem ter um bebê com problemas. Particularmente tenho um primo com Down, o 1º neto de minha avó de um total de mais de 23, e sei o quanto ele é feliz, mas sei que não foi fácil para minha tia.

Existe uma saída. Uma nova tecnologia de diagnostico realizado por meio de genética molecular aplicada à medicina reprodutiva permite analisar todos os cromossomos de um embrião. Trata-se do CGH (Comparative genomic hybridization), um teste genético capaz de identificar embriões livres de alterações cromossômicas (síndrome de Down, Patou, turner...) e eventualmente genéticas (neste caso se faz necessário a montagem de uma sonda específica). 

Deve ser feito logo após a fertilização in vitro (no 5º dia de Desenvolvimento embrionário) e antes da transferência do embrião ao útero materno, assim salvaguardando a gravidez. o CGH aumenta as chances de uma gestação saudável já que o embrião estará perfeito, mas infelizmente não confere sucesso absoluto ao tratamento.

A indicação do teste de forma generalizada é para pacientes com doenças genéticas na família, para casos de bebes prévios malformados e para mulheres que querem engravidar com mais de 40 anos.