A relação entre a obesidade feminina e o sucesso reprodutivo é complexa, entretanto os efeitos negativos da obesidade na reprodução humana são amplamente discutidos: atraso para concepção espontânea, maior prevalência de infertilidade feminina e masculina, de abortos naturais, pior resposta aos tratamentos de infertilidade, além da maior predisposição a complicações obstétricas. As alterações nos esteroides sexuais parecem ser a principal causa da infertilidade feminina em pacientes obesas; entretanto, recentemente outros fatores vêm sendo estudados: metabólitos ovarianos, expressão gênica, qualidade de oócitos e embriões.
A associação entre obesidade e subfertilidade parece estar relacionada, ao menos parcialmente, com a redução da frequência das ovulações. A SOP é uma causa comum de infertilidade por fator ovulatório que acomete de 5 a 7% das mulheres, com frequente associação com índice de massa corpórea ≥25 kg/m2 (sobrepeso ou obesidade). Existe uma interação complexa entre obesidade e SOP, sendo a anovulação mais comum nas mulheres com SOP obesas (>50% das pacientes com SOP) que nas portadoras de SOP não-obesas. A indução da ovulação farmacológica também tem pior resposta em pacientes com SOP obesas, com possível correlação direta entre dose do citrato de clomifeno necessária, o peso corporal e o IMC.
Diversos fatores são relevantes para o entendimento da complexidade entre obesidade e SOP: a insulina, o sistema de fatores de crescimento, o sistema opioide, estrogênios e diversas citocinas, particularmente a leptina, que tem sido extensivamente estudada. Nos ovários, a insulina age sinergicamente ao hormônio luteinizante (LH) e estimula a esteroidogênese pelas células tecais e pela granulosa. Além disso, a insulina parece aumentar a sensibilidade hipofisária ao hormônio liberador das gonadotrofinas (GnRH). O que poderia afetar adversamente a maturação folicular pelo aumento da concentração de espécies reativas de oxigênio, causando dano folicular.
Beliver et al. estudaram a qualidade dos embriões e o resultado reprodutivo no programa de Fertilização in vitro (FIV) de acordo com o IMC. Dividiram as pacientes em quatro grupos de acordo com o IMC: pacientes magras (IMC<20 kg/m2;), peso corporal adequado (IMC entre 20 e 24,9 kg/m2), sobrepeso (IMC entre 25 e 29,9 kg/m2) e obesas (IMC>30 kg/m2), e concluíram que a obesidade interfere negativamente nos resultados da FIV, mas a qualidade do embrião não está comprometida, o que aponta para uma possível alteração no ambiente uterino.
Os dados da resposta aos tratamentos de infertilidade em pacientes obesas e sobrepeso são limitados. A maioria dos trabalhos mostrou atraso em concebê-la ou necessidade de uso de maior quantidade de medicação; outros trabalhos, todavia, sugerem que, isoladamente, a obesidade não interfere no resultado do tratamento.
Fonte: Oliveira FR, Navarro C, Lemos CD. Obesidade e reprodução. Femina, Abril 2010, vol 38, No4: 245-249.
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