segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Fumo e Implantação embrionária

Acreditasse que há associação entre tabagismo e baixos resultados em tratamentos de reprodução humana, bem como reprodução natural. Sabe-se que o cigarro contem centenas de componentes com diversos efeitos conhecidos ou não. Cada estágio da função reprodutiva: esteroidogênese, foliculogênese, transporte embrionário, receptividade endometrial, fluxo sanguíneo, são possíveis alvos prejudiciais do cigarro.
A implantação embrionária requer um endométrio preparado para este momento. O local onde os embriões se fixam e a qualidade do endométrio determinam o bom andamento da gestação. A associação de fumo e alteração do sítio de implantação tem sido bastante estudada. Tentasse associar baixas taxas de implantação observadas em fumantes que se submetem a fertilização in vitro (FIV). Apesar desta associação ser bem documentada existem resultados conflitantes (Winter et al., 2002; Freour et al., 2008).
Em ciclos de pacientes receptoras de óvulos doados, Soares et al. (2007) observou taxas menores de implantação em tabagistas mais severas (10 cigarros/dia) que as não fumantes. Usando-se modelo animal foi exposto ratas a nicotina e foi encontrado úteros menores, sugerindo agressão aos mesmos (Card and Mitchell, 1978). Os mesmos resultados histológicos foi confirmado usando um modelo humano a partir de células endometriais oriundas de histerectomias (Khorram et al., 2010).
Outros autores concluem através da mecanismos moleculares que as taxas de implantação são mais baixas em tabagistas severas (Tsutsumi et al., 2009).
Não há duvida que o efeito do cigarro é dose e tempo dependente, e que cada individuo tem uma forma de responder aos elementos químicos do cigarro o que, consequentemente, vai influir na fecundidade de cada individuo de uma forma única.
Todos os estágios da função reprodutiva serão afetados pelos agentes tóxicos do cigarro e estes efeitos deletérios devem ser cada vez mais estudados para se compreender melhor a ação de cada um, individualmente.

C. Dechanet1,*, T. Anahory1, J.C. Mathieu Daude2, X. Quantin3, L. Reyftmann1, S. Hamamah1, B. Hedon1, and H. Dechaud1. Effects of cigarette smoking on reproduction; Human Reproduction Update, Vol.00, No.0 pp. 1–21, 2010

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Obesidade e Reprodução

 A relação entre a obesidade feminina e o sucesso reprodutivo é complexa, entretanto os efeitos negativos da obesidade na reprodução humana são amplamente discutidos: atraso para concepção espontânea, maior prevalência de infertilidade feminina e masculina, de abortos naturais, pior resposta aos tratamentos de infertilidade, além da maior predisposição a complicações obstétricas. As alterações nos esteroides sexuais parecem ser a principal causa da infertilidade feminina em pacientes obesas; entretanto, recentemente outros fatores vêm sendo estudados: metabólitos ovarianos, expressão gênica, qualidade de oócitos e embriões.

 A associação entre obesidade e subfertilidade parece estar relacionada, ao menos parcialmente, com a redução da frequên­cia das ovulações. A SOP é uma causa comum de infertilidade por fator ovulatório que acomete de 5 a 7% das mulheres, com frequente associação com índice de massa corpórea ≥25 kg/m2 (sobrepeso ou obesidade). Existe uma interação complexa entre obesidade e SOP, sendo a anovulação mais comum nas mulheres com SOP obesas (>50% das pacientes com SOP) que nas porta­doras de SOP não-obesas. A indução da ovulação farmacológica também tem pior resposta em pacientes com SOP obesas, com possível correlação direta entre dose do citrato de clomifeno necessária, o peso corporal e o IMC.

 Diversos fatores são relevantes para o entendimento da complexidade entre obesidade e SOP: a insulina, o sistema de fatores de cres­cimento, o sistema opioide, estrogênios e diversas citocinas, particularmente a leptina, que tem sido extensivamente estu­dada. Nos ovários, a insulina age sinergicamente ao hormônio luteinizante (LH) e estimula a esteroidogênese pelas células tecais e pela granu­losa. Além disso, a insulina parece aumentar a sensibilidade hipofisária ao hormônio liberador das gonadotrofinas (GnRH). O que poderia afetar adversamente a maturação folicular pelo aumento da concentração de espécies reativas de oxigênio, causando dano folicular.

 Beliver et al. estudaram a qualidade dos embriões e o resultado reprodutivo no programa de Fertilização in vitro (FIV) de acordo com o IMC. Dividiram as pacien­tes em quatro grupos de acordo com o IMC: pacientes magras (IMC<20 kg/m2;), peso corporal adequado (IMC entre 20 e 24,9 kg/m2), sobrepeso (IMC entre 25 e 29,9 kg/m2) e obesas (IMC>30 kg/m2), e concluíram que a obesidade interfere negativamente nos resultados da FIV, mas a qualidade do em­brião não está comprometida, o que aponta para uma possível alteração no ambiente uterino.

 Os dados da resposta aos tratamentos de infertilidade em pacientes obesas e sobrepeso são limitados. A maioria dos trabalhos mostrou atraso em concebê-la ou necessidade de uso de maior quantidade de medicação; outros trabalhos, todavia, sugerem que, isoladamente, a obesidade não interfere no resultado do tratamento.

Fonte: Oliveira FR, Navarro C, Lemos CD. Obesidade e reprodução. Femina, Abril 2010,  vol 38, No4: 245-249.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

A Famosa "Tabelinha"

Algumas mulheres sempre perguntam sobre a famosa “tabelinha” (O método de Ogino-Knaus) para ajudar no “timing” da fecundação. Costumo a falar que casais “normais” obterão a gravidez sem esta necessidade e quando partimos para isso já estamos fazendo aquele algo a mais. O problema é que a ovulação não é tão óbvia: na verdade, existem ocasiões em que é difícil saber com certeza o período em que se está ovulando.

A “Tabelinha”, que na verdade foi criada para evita a gravidez, é talvez um dos mais utilizados. Busca encontrar, através de cálculos, o início e o fim do período fértil.

Como calcular o período fértil:

Verifique a duração dos seus seis últimos ciclos menstruais, determine o mais longo e o mais curto. Calcule quando ocorrem os dias férteis, seguindo as instruções a seguir:

·  Do número total de dias no seu ciclo mais curto, subtraia 18. isto identifica o primeiro dia fértil do seu ciclo.
·  Do número total de dias no seu ciclo mais longo, subtraia 11. isto identifica o último dia fértil do seu ciclo.

Exemplo: Ciclo mais curto: 26 dias menos 18 dias = 8 dias
Ciclo mais longo: 30 dias menos 11 dias = 19 dias
Neste exemplo o período fértil começa no oitavo dia do ciclo e terminando no décimo nono dia do ciclo (12 dias para aumentar a chance de gravidez, ou seja muito namoro!).

Vantagens: Pode ser usado para alcançar uma gravidez (ou evitar!); não apresenta efeitos colaterais físicos; grátis; aumenta o conhecimento da mulher sobre o seu sistema reprodutivo.

Desvantagens: Alta incidência de falha; difícil para algumas mulheres detectar o período fértil; não protege contra DST/AIDS (importante para quem quer usar como método contraceptivo).