terça-feira, 30 de novembro de 2010

Maior depósito de sêmen do país precisa de doações

Um banco precisa de doações. E não é uma instituição financeira à beira da falência. Trata-se do Pro-Seed, o maior depósito de sêmen do país. Lá estão armazenadas, em botijões de nitrogênio líquido, cerca de 2 000 amostras, 1 000 a menos que o estoque médio do ano passado. Em compensação, o número de mulheres que procuram o serviço para tratamento de fertilização saltou para 988, 30% a mais que no ano anterior. “É preciso ter 40 milhões de espermatozoides em uma coleta, o dobro do registrado na amostra de um homem com fertilidade normal. Quase 70% dos doadores são excluídos”, diz Vera Fehér Brand, diretora da instituição desde 1988, quando esta integrava o Hospital Albert Einstein. A doação é anônima e, por lei, não pode ser remunerada, mas o voluntário ganha exame de espermograma e testes de sífilis, hepatite C e aids.

Por Mauricio Xavier [com reportagem de Isabella Villalba e Catarina Cicarelli]

24/11/2010

http://vejasp.abril.com.br/revista/edicao-2192/deposito-de-semen-pro-seed-doacoes

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Uso de laptop no colo pode reduzir qualidade dos espermatozoides

Usar um laptop no colo, como o nome da máquina sugere ("lap" em inglês significa "colo"), pode não fazer bem à saúde reprodutiva masculina, de acordo com um estudo.E há pouco que se possa fazer quanto a isso, além de usar a máquina sobre uma mesa, disse Yelim Sheynkin, urologista da State University of New York em Stony Brook e coordenador do estudo publicado pela revista "Fertility and Sterility".
No estudo, termômetros foram usados para medir a temperatura dos escrotos de 29 jovens que tinham laptops apoiados sobre os joelhos. Mesmo com um suporte sob o computador, os escrotos dos participantes se superaqueciam rapidamente.
"Milhões e milhões de homens usam laptops hoje em dia, especialmente na faixa de idade mais propensa a reprodução", disse Sheynkin.
"Depois de apenas dez ou 15 minutos, a temperatura de seus escrotos já está acima do que consideramos seguro, mas eles nem percebem", acrescentou.
De acordo com a American Urological Association, quase um em cada seis casais dos Estados Unidos enfrenta problemas de concepção. Em cerca de metade dos casos isso se deve a infertilidade masculina. Sob circunstâncias normais, a posição dos testículos fora do corpo os mantêm alguns graus mais frios que o restante do organismo, o que é necessário para produção de esperma.
Nenhum estudo havia pesquisado o efeito dos laptops sobre a fertilidade masculina, até agora, acrescentou Sheynkin. Mas pesquisas anteriores demonstraram que aquecer o escroto em mais de um grau é o bastante para danificar os espermatozoides.
Ainda que fatores gerais de saúde e estilo de vida tais como nutrição e uso de drogas possam afetar a saúde reprodutiva, jeans e cuecas apertados em geral não são considerados fator de risco, porque as pessoas se movimentam quando os usam. Mas apoiar um laptop sobre os joelhos, no entanto, exige manter as pernas imóveis e fechadas. Depois de uma hora nessa posição, os pesquisadores constataram que a temperatura dos testículos sobe 2,5ºC.
Um suporte para o laptop mantém a máquina mais fria e impede transferência de calor à pele, mas Sheynkin alertou que isso não ajuda muito a refrigerar os testículos e pode oferecer uma falsa sensação de segurança.
Não me espantarei daqui a alguns anos, as caixas de laptop virem com os seguintes dizeres: "o Ministério da saúde adverte: Laptop no colo de homens pode causar infertilidade."


Da REUTERS, em NOVA YORK

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Enjoos matinais podem sinalizar gravidez mais saudável

Mulheres que passam pelo desconforto dos enjoos matinais no início da gravidez são menos propensas a sofrer um aborto, aponta uma recente pesquisa publicada na revista especializada Human Reproduction.
 Gestantes que não apresentam náusea ou vômito durante os primeiros três meses, no entanto, não precisam se alarmar, afirmou Ronna L. Chan, uma das autoras do estudo, em entrevista à Reuters Health. Nem todas as mulheres que passam por gestações saudáveis sofrem náusea e vômito nem no início nem ao longo da gravidez.
Além disso, os sintomas que acompanham a gravidez podem variar até mesmo de uma gestação para outra da mesma mulher”, disse a especialista, da Universidade da Carolina do Norte (EUA).
Entre 50 e 90% das mulheres são acometidas por enjoos matinais no início da gravidez, relataram Chan e sua equipe no artigo publicado na revista.
Estudos anteriores já haviam constatado que mulheres que apresentam tais sintomas são menos propensas a sofrer um aborto. Para investigar a relação em mais detalhes, Chan e sua equipe analisaram não somente a presença ou ausência destes sintomas, mas também a duração dos mesmos, em mais de 2.400 mulheres residentes de três cidades norte-americanas.
Nossos estudos apresentaram várias vantagens em relação a estudos anteriores, pois recrutamos gestantes no início da gravidez ou ainda mulheres que estavam tentando engravidar. Dessa forma, conseguimos acompanhá-las ao longo da gestação, coletando dados relacionados ao momento e à ocorrência das náuseas e vômitos desde o início”, explicou a pesquisadora.
Entre as participantes, 89% apresentaram algum tipo de enjoo matinal, enquanto que 53% tiveram tanto vômito quanto náusea – 11% das mulheres sofreram um aborto espontâneo antes da vigésima semana.
Chan e sua equipe constataram que aquelas que não apresentaram náusea ou vômito durante os primeiros três meses de gravidez se mostraram 3.2 vezes mais propensas a sofrer um aborto.
Essa relação se mostrou especialmente forte em mulheres mais velhas; mulheres abaixo dos 25 anos de idade que não apresentaram enjôos matinais se mostraram 4 vezes mais propensas a sofrer um aborto em relação a suas colegas que tiveram náusea e vômito, enquanto que o risco de aborto aumentou quase que em 12 vezes para as mulheres acima dos 35 anos que não apresentaram enjoos matinais.
As pesquisadoras constataram que quanto mais tempo a mulher teve tais sintomas, mais baixo foi o risco de sofrer um aborto espontâneo. Tal associação foi especialmente forte em mulheres mais velhas. Aquelas com mais de 35 anos de idade que tiveram enjoos matinais por pelo menos a metade do tempo de gestação se mostraram 80% menos propensas a sofrer um aborto do que as da mesma faixa etária que não apresentaram tais sintomas.
Entretanto, por causa da natureza do estudo, os autores não puderam comprovar se houve uma relação causa-efeito entre os enjoos matinais e s gravidez mais saudável, apenas que os dois fatores estão relacionados.
Alguns postulam que a náusea e o vômito durante a gravidez formam um mecanismo que ajuda a melhorar a qualidade da dieta das gestantes, ou ainda uma maneira de reduzir ou eliminar substâncias potencialmente prejudiciais à mãe para proteger o feto”, explicou Chan.
A pesquisadora afirmou que mesmo que sejam idéias “plausíveis”, ela acha que os sintomas refletem a sensibilidade da gestante ao aumento agudo de determinados hormônios essências para sustentar a gravidez, o que ocorre nos primeiros três meses.

* Por Anne Harding
Fonte: Reuters

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Casal consegue ter bebê após 22 anos de tentativas

Para aqueles que perderam a esperança mais uma história maravilhhosa da nossa de superação.

Um casal que esperou 22 anos para conseguir ter um filho comemorou a chegada de seu primeiro bebê este mês, na Grã-Bretanha.
Susan Comiskey, de 42 anos, deu à luz Anna Margaret apenas um ano após ter vencido uma batalha contra o câncer, que incluiu duas operações e um tratamento de radioterapia.
"Ela é um milagre, um presente", disse o pai, de 55 anos. Susan e Shane Comiskey se casaram em 1988 e começaram imediatamente a tentar ter filhos, mas não tiveram sucesso.
"Quando as pessoas perguntavam se tínhamos filhos, Shane costumava dizer que já havíamos feito o pedido, mas que o bebê ainda não tinha sido entregue", contou Susan.
Susan e Shane Comiskey


Os médicos acreditavam que seus problemas de fertilidade eram causados por um pequeno tumor benigno na glândula pituitária, que teria aumentado os níveis do hormônio prolactina, suspendendo a ovulação e alterando os ciclos menstruais. Quando o casal foi morar em Liverpool, no norte da Inglaterra, em 2007, Susan começou a se tratar com o especialista em fertilidade Nabil Aziz. Ele receitou remédios para regular seu ciclo reprodutivo, o que aumentou suas chances de conceber de forma natural e também reduziu o tumor.

Câncer
Durante uma consulta em 2008, o médico notou um nódulo no pescoço de Susan.
"Eu já havia visto aquilo, mas não achei nada de mais. Aziz disse que não estava gostando da aparência do nódulo e ligou para a oncologista Alison Waghorn no Hospital Universitário Royal Liverpool, que concordou em me ver quase imediatamente", disse Susan.
Ela foi diagnosticada com câncer de tireoide. "Foi um choque terrível descobrir que eu tinha câncer, mas mesmo durante o tratamento, eu estava pensando que mais um ano ia se passar sem a chance de ter um bebê."

Susan terminou o tratamento em 2009 e em janeiro deste ano, começou a sentir enjoos. Ela logo imaginou que o câncer tivesse se espalhado.
"Meus ciclos (menstruais) sempre foram um pouco estranhos, então não fiz a ligação entre uma coisa e outra. Depois de um mês ou dois, eu pensei 'Quem sabe?' e fiz um teste de gravidez. Deu positivo. Eu quase desmaiei", disse ela.
"Eu fiz três testes no mesmo dia e todos deram positivo. Ainda assim eu só acreditei quando meu clínico geral confirmou. Finalmente havíamos começado a jornada pela qual esperamos por tanto tempo."
"Nós dois choramos. Não contamos para ninguém no início e ainda ficamos nos perguntando se iria durar, se realmente iria acontecer."
Susan e Shane, que são pastores de uma igreja em Liverpool, agradecem aos médicos e a Deus por terem tornado seu sonho realidade.
"Nunca perdemos as esperanças de que Deus atenderia nossas preces um dia e espero que nossa história sirva de inspiração para quem ainda está esperando por seu bebê."

20/10/2010 - 08h49


segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Bebê nasce de embrião congelado há quase 20 anos

Cientistas americanos conseguiram que uma mulher de 42 anos tivesse um filho saudável a partir de um embrião que permaneceu congelado por quase 20 anos. A técnica foi aplicada no Instituto Jones de Medicina Reprodutiva, da Escola de Medicina de Eastern Virginia, em Norfolk, na Virgínia. A mulher que recebeu os embriões havia registrado uma baixa reserva ovariana, ou seja, baixo estoque de óvulos disponíveis, e fazia tratamento de fertilização havia dez anos. Os médicos descongelaram cinco embriões que haviam sido doados anonimamente por um casal que realizara o tratamento de fertilização na clínica 20 anos antes.

Dos embriões descongelados, dois sobreviveram e foram transferidos para o útero da paciente. Ao fim de uma única gravidez, a mulher deu à luz um garoto que nasceu saudável. O caso foi relatado em um artigo científico na publicação especializada "Fertility and Sterility", da Sociedade Americana para a Medicina Reprodutiva. A equipe, liderada pelo pesquisador Sergio Oehninger, disse que não conhece nenhum caso de gravidez em que um embrião humano tenha permanecido tanto tempo congelado - 19 anos e sete meses.

"Congelar embriões é uma prática que só começou a ficar frequente nos anos 1990, então este certamente estava entre os que foram congelados logo no início deste processo", explicou à BBC Brasil o diretor científico e professor honorário do Centro de Medicina Reprodutiva da Universidade de Glasgow, Richard Fleming.

"Este é sem sombra de dúvida o caso mais antigo de que já ouvi falar, e mostra como um embrião de boa qualidade pode perfeitamente se desenvolver independentemente de ter sido gerado em 1990 ou 2010."

Tempo em suspenso
O congelamento suspende biologicamente o envelhecimento das células, e os cientistas defendem que um embrião pode permanecer neste estado por décadas. Ate agora, o maior tempo que um embrião permaneceu congelado antes de ser transferido para o útero e gerado um bebê foi 13 anos, em um caso na Espanha. No Brasil, o recorde é de uma mulher do interior de São Paulo que deu à luz um bebê nascido de um embrião que ficara congelado por oito anos. Há ainda casos de pacientes que congelam suas células reprodutivas com fins terapêuticos, antes de tratamentos que podem deixá-los estéreis.

Em 2004, um casal teve um filho a partir de esperma que havia permanecido congelado por 21 anos. Nesse caso, o pai tinha congelado espermatozoides aos 17 anos de idade, antes de começar a tratar um câncer de testículo com radioterapia e quimioterapia, que o deixaram sem capacidade reprodutiva.


Fonte: http://noticias.uol.com.br/bbc/2010/10/11/bebe-nasce-de-embriao-congelado-ha-quase-20-anos.jhtm

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Homenagem ao Nobel de medicina

O anúncio do Nobel de Medicina de 2010 para Robert Edwards, criador da fertilização in vitro, fez uma brasileira de São José dos Pinhais (PR) lembrar-se do passado. "Ouço falar sobre ele desde criança." A memória é de Anna Paula Caldeira, primeiro bebê de proveta da América Latina, nascida em 7 de outubro de 1984.
"Acho que a pesquisa tem grande relevância científica, mas o principal é que o trabalho dele gerou esperanças para milhões de mães", afirma Anna Paula, formada em nutrição, mas atualmente trabalhando com marketing. "No caso da minha mãe, ela já havia concebido cinco filhos, mas quantas mães não tiveram esperança por causa do meu caso?"
A operação de fertilização da mãe, Ilza Caldeira, foi realizada por Milton Nakamura, médico falecido em 1997. "Junto com minha mãe, outras cinco mulheres também tentaram ter filhos mas não conseguiram", disse Anna Paula. "Acredito em uma força divina. Quem acaba decidindo que vai nascer é o universo, não é somente ciência."
Nascida apenas seis anos depois de Louise Joy Brown, primeiro bebê de proveta no mundo, a nutricionista pôde conhecer a britânica em 2008. "Nos encontramos em um evento ligado aos 30 anos dela aqui no Brasil", disse a paranaense."Por incrível que pareça, acho que conheço poucas pessoas que nasceram por fertilização in vitro".
Junto com minha mãe, outras cinco mulheres também tentaram ter filhos mas não conseguiram. Acredito em uma força divina. Quem acaba decidindo quem vai nascer é o universo, não é somente a ciência". Louise está atualmente com 32 anos e já tem um filho. Para Anna Paula, o momento de gerar um bebê ainda está longe e diz não sentir pressão nesse sentido.
"Nunca houve pressão para nada, nem mesmo para testes psicológicos", diz a nutricionista. "Minha mãe soube me proteger muito bem quanto a isso, quando os médicos sugeriam testes ela respondia, dizendo que eu era uma menina normal."
Mesmo com o assédio da imprensa nos anos 1980, Anna Paula ainda fala com naturalidade sobre fertilização.
"Por causa do assédio da mídia desde cedo, meus pais nunca esconderam o que aconteceu comigo, sempre soube lidar com isso", diz Anna Paula. "Durante a minha rotina, esqueço do assunto, mas sempre o caso volta à tona."
Infertilidade
Segundo a Nobel Foundation, cerca de 4 milhões de pessoas já nasceram desde 1978 graças ao método de Edwards. Nos países desenvolvidos, entre 1% e 2% dos casais apresentam problemas para ter filhos. As causas para a infertilidade podem ser fruto de más-formações nos óvulos ou nos espermatozoides. As trompas de falópio, que ligam o ovário ao útero, também podem estar obstruídas, o que impede a criação do ovo fertilizado. A técnica desenvolvida após 20 anos de pesquisa por Edwards consiste na retirada do óvulo para fertilização em laboratório. Em seguida, o material é colocado no útero da mulher e cresce normalmente, como um feto normal.
Mário Barra Do G1, em São Paulo
http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2010/10/ouco-falar-dele-desde-crianca-diz-1-bebe-de-proveta-do-brasil-sobre-nobel.html

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Fumo e Implantação embrionária

Acreditasse que há associação entre tabagismo e baixos resultados em tratamentos de reprodução humana, bem como reprodução natural. Sabe-se que o cigarro contem centenas de componentes com diversos efeitos conhecidos ou não. Cada estágio da função reprodutiva: esteroidogênese, foliculogênese, transporte embrionário, receptividade endometrial, fluxo sanguíneo, são possíveis alvos prejudiciais do cigarro.
A implantação embrionária requer um endométrio preparado para este momento. O local onde os embriões se fixam e a qualidade do endométrio determinam o bom andamento da gestação. A associação de fumo e alteração do sítio de implantação tem sido bastante estudada. Tentasse associar baixas taxas de implantação observadas em fumantes que se submetem a fertilização in vitro (FIV). Apesar desta associação ser bem documentada existem resultados conflitantes (Winter et al., 2002; Freour et al., 2008).
Em ciclos de pacientes receptoras de óvulos doados, Soares et al. (2007) observou taxas menores de implantação em tabagistas mais severas (10 cigarros/dia) que as não fumantes. Usando-se modelo animal foi exposto ratas a nicotina e foi encontrado úteros menores, sugerindo agressão aos mesmos (Card and Mitchell, 1978). Os mesmos resultados histológicos foi confirmado usando um modelo humano a partir de células endometriais oriundas de histerectomias (Khorram et al., 2010).
Outros autores concluem através da mecanismos moleculares que as taxas de implantação são mais baixas em tabagistas severas (Tsutsumi et al., 2009).
Não há duvida que o efeito do cigarro é dose e tempo dependente, e que cada individuo tem uma forma de responder aos elementos químicos do cigarro o que, consequentemente, vai influir na fecundidade de cada individuo de uma forma única.
Todos os estágios da função reprodutiva serão afetados pelos agentes tóxicos do cigarro e estes efeitos deletérios devem ser cada vez mais estudados para se compreender melhor a ação de cada um, individualmente.

C. Dechanet1,*, T. Anahory1, J.C. Mathieu Daude2, X. Quantin3, L. Reyftmann1, S. Hamamah1, B. Hedon1, and H. Dechaud1. Effects of cigarette smoking on reproduction; Human Reproduction Update, Vol.00, No.0 pp. 1–21, 2010

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Obesidade e Reprodução

 A relação entre a obesidade feminina e o sucesso reprodutivo é complexa, entretanto os efeitos negativos da obesidade na reprodução humana são amplamente discutidos: atraso para concepção espontânea, maior prevalência de infertilidade feminina e masculina, de abortos naturais, pior resposta aos tratamentos de infertilidade, além da maior predisposição a complicações obstétricas. As alterações nos esteroides sexuais parecem ser a principal causa da infertilidade feminina em pacientes obesas; entretanto, recentemente outros fatores vêm sendo estudados: metabólitos ovarianos, expressão gênica, qualidade de oócitos e embriões.

 A associação entre obesidade e subfertilidade parece estar relacionada, ao menos parcialmente, com a redução da frequên­cia das ovulações. A SOP é uma causa comum de infertilidade por fator ovulatório que acomete de 5 a 7% das mulheres, com frequente associação com índice de massa corpórea ≥25 kg/m2 (sobrepeso ou obesidade). Existe uma interação complexa entre obesidade e SOP, sendo a anovulação mais comum nas mulheres com SOP obesas (>50% das pacientes com SOP) que nas porta­doras de SOP não-obesas. A indução da ovulação farmacológica também tem pior resposta em pacientes com SOP obesas, com possível correlação direta entre dose do citrato de clomifeno necessária, o peso corporal e o IMC.

 Diversos fatores são relevantes para o entendimento da complexidade entre obesidade e SOP: a insulina, o sistema de fatores de cres­cimento, o sistema opioide, estrogênios e diversas citocinas, particularmente a leptina, que tem sido extensivamente estu­dada. Nos ovários, a insulina age sinergicamente ao hormônio luteinizante (LH) e estimula a esteroidogênese pelas células tecais e pela granu­losa. Além disso, a insulina parece aumentar a sensibilidade hipofisária ao hormônio liberador das gonadotrofinas (GnRH). O que poderia afetar adversamente a maturação folicular pelo aumento da concentração de espécies reativas de oxigênio, causando dano folicular.

 Beliver et al. estudaram a qualidade dos embriões e o resultado reprodutivo no programa de Fertilização in vitro (FIV) de acordo com o IMC. Dividiram as pacien­tes em quatro grupos de acordo com o IMC: pacientes magras (IMC<20 kg/m2;), peso corporal adequado (IMC entre 20 e 24,9 kg/m2), sobrepeso (IMC entre 25 e 29,9 kg/m2) e obesas (IMC>30 kg/m2), e concluíram que a obesidade interfere negativamente nos resultados da FIV, mas a qualidade do em­brião não está comprometida, o que aponta para uma possível alteração no ambiente uterino.

 Os dados da resposta aos tratamentos de infertilidade em pacientes obesas e sobrepeso são limitados. A maioria dos trabalhos mostrou atraso em concebê-la ou necessidade de uso de maior quantidade de medicação; outros trabalhos, todavia, sugerem que, isoladamente, a obesidade não interfere no resultado do tratamento.

Fonte: Oliveira FR, Navarro C, Lemos CD. Obesidade e reprodução. Femina, Abril 2010,  vol 38, No4: 245-249.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

A Famosa "Tabelinha"

Algumas mulheres sempre perguntam sobre a famosa “tabelinha” (O método de Ogino-Knaus) para ajudar no “timing” da fecundação. Costumo a falar que casais “normais” obterão a gravidez sem esta necessidade e quando partimos para isso já estamos fazendo aquele algo a mais. O problema é que a ovulação não é tão óbvia: na verdade, existem ocasiões em que é difícil saber com certeza o período em que se está ovulando.

A “Tabelinha”, que na verdade foi criada para evita a gravidez, é talvez um dos mais utilizados. Busca encontrar, através de cálculos, o início e o fim do período fértil.

Como calcular o período fértil:

Verifique a duração dos seus seis últimos ciclos menstruais, determine o mais longo e o mais curto. Calcule quando ocorrem os dias férteis, seguindo as instruções a seguir:

·  Do número total de dias no seu ciclo mais curto, subtraia 18. isto identifica o primeiro dia fértil do seu ciclo.
·  Do número total de dias no seu ciclo mais longo, subtraia 11. isto identifica o último dia fértil do seu ciclo.

Exemplo: Ciclo mais curto: 26 dias menos 18 dias = 8 dias
Ciclo mais longo: 30 dias menos 11 dias = 19 dias
Neste exemplo o período fértil começa no oitavo dia do ciclo e terminando no décimo nono dia do ciclo (12 dias para aumentar a chance de gravidez, ou seja muito namoro!).

Vantagens: Pode ser usado para alcançar uma gravidez (ou evitar!); não apresenta efeitos colaterais físicos; grátis; aumenta o conhecimento da mulher sobre o seu sistema reprodutivo.

Desvantagens: Alta incidência de falha; difícil para algumas mulheres detectar o período fértil; não protege contra DST/AIDS (importante para quem quer usar como método contraceptivo).

sábado, 21 de agosto de 2010

Adoçantes x Gravidez



Os edulcorantes (adoçantes) são classificados em nutritivos e não-nutritivos. Atualmente, o aspartame é alvo de várias críticas, porém a American Diabetes Association (ADA), revisando as evidencias científicas acerca da inocuidade do aspartame, declara que o edulcorante não é carcinogênico e não esta associada a desordens neurológicas. Quanto à sacarina, alguns autores recomendam restrição do consumo desta por gestantes, devido à falta de informações conclusivas sobre possíveis efeitos no desenvolvimento fetal, além das poucas evidencias sobre o seu efeito transplacentário e transmamário. A ADA não recomenda o uso do esteviosídeo como edulcorante. Os edulcorantes não-calóricos atualmente aprovados para uso pela população em geral, incluindo as gestantes são: aspartame, acesulfame-K, sacarina, sucralose e neotame. Na orientação dietética, deve-se considerar a quantidade permitida por dia e esclarecer à paciente sobre a importância de controlar a dose utilizada, além de revisar periodicamente os tipos de edulcorantes presentes nos adoçantes e produtos dietéticos disponíveis no mercado. Por exemplo, o aspartame, liberado na gestação, em dose altas tem efeitos tóxicos, para isso a paciente teria que ingerir mais de 53 saquinhos de 8 mg de um adoçante comum de aspartame.


Fonte: Saundres C. e col. Revisão de literatura sobre recomendações de utilização de edulcorantes em gestantes portadoras de diabetes mellitus. Femina abril 2010, vol38, No 4.


sexta-feira, 20 de agosto de 2010

NASCEU!!!



Após alguns meses de gestação compartilho com vocês o nascimento de meu blog.
Um espaço para colocar textos, publicações e trocar experiências.
Sejam bem-vindos!

Dr. Vamberto Maia Filho