quarta-feira, 15 de abril de 2015

SOMENTE 30% DOS EMBRIÕES IMPLANTADOS NA CAVIDADE UTERINA CHEGAM A GESTAÇÃO COM ÊXITO


Não é de hoje que o maior problema dos tratamentos em reprodução humana é a obtenção da gestação em si. Há uma estimativa de que a infertilidade afeta cerca de um em cada cinco casais, sendo o fator feminino o responsável pela maior parte dos casos. O conhecimento das etapas da fertilização, questões laboratoriais, o crescimento embrionário e a indução da ovulação estão bem conhecidos e controlados, contudo os resultados na obtenção da gravidez praticamente não se alteraram nas últimas duas décadas. Aproximadamente 70% dos embriões morfologicamente normais transferidos ao útero serão reabsorvidos antes da confirmação da gestação. Este é um dos principais fatores limitantes às técnicas de reprodução humana assistida; a falha da implantação embrionária que é complexa e pobremente entendida.
               Assim um fator particularmente importante para o sucesso de uma gravidez é a receptividade endometrial, que corresponde ao estado em que o endométrio se encontra para que ocorra a implantação embrionária. Nesse sentido pesquisas foram feitas para entender melhor e buscar alternativas para a aumento das taxas de gravidez.
Neste processo apareceu uma ferramenta para identificar o período receptivo do endométrio e estabelecer uma transferência de embriões personalizada (pET). O teste está indicado para mulheres com falhas de implantação mesmo tendo embriões de boa qualidade.
Ação de biopsiar o útero

Aproximadamente em 25% destas pacientes é detectado um deslocamento da janela de implantação. Um fator particularmente importante para o sucesso é a receptividade endometrial, que corresponde ao estado em que o endométrio se encontra para que ocorra a implantação do embrião. Esse período é chamado de janela de implantação. O laboratório espanhol IGENOMIX desenvolveu o teste ERA (Endometrial Receptivity Array), uma ferramenta de diagnóstico molecular que através de uma biópsia endometrial analisa a expressão de 238 genes envolvidos na receptividade do endométrio, permitindo determinar se uma mulher é ou não receptiva no momento da retirada da amostra. Caso o resultado seja positivo, isso significa que a janela de implantação é localizada no dia em que a biópsia foi realizada, e o embrião irá implantar no útero durante esse período. Um estado não receptivo significa uma janela de implantação deslocada e uma nova biópsia deve ser realizada de acordo com o resultado indicado pelo sistema informático, indicando a janela de implantação personalizada de cada paciente. Isso permite que o embrião implante com sucesso nos ciclos subsequentes o que denominamos de pET.
Um estudo recente, realizado em 2014, com pacientes que realizaram o teste ERA, concluiu que após a primeira biópsia, 24% das pacientes resultaram em não receptivas. E, em 88% desses casos, uma segunda biópsia localizou a janela de implantação e, portanto, o período em que a paciente estava receptiva.

Claro que não estamos diante de um tratamento universal e que deverá ser aplicado a todos os casais submetidos a tratamentos de infertilidade, mas sem dúvida abre mais uma janela para melhores taxas de sucesso ao tratamento e elucidações de questões antes poucos esclarecidas. 

terça-feira, 7 de abril de 2015

Filhos x Profissão: A nova batalha da mulher

Não faz muito tempo quando ainda adolescente minha mãe me chamou e a minha irmã e disse: “Preste atenção vocês dois, primeiro os estudos e a profissão, nem pensem em filhos agora. Estão ouvindo!”. Na época nada parecia mais correto e quem dos meus amigos engravidou foi massacrado. Alguém conhece esta história?
Qual não foi a mulher que nesses últimos 20 anos não se dedicou aos estudos para conseguir seu espaço em detrimento da família. Atualmente, as prioridades femininas convergem para a vida profissional e independência financeira, por isso, o sonho de ter um filho acaba sendo adiado. A ideia seria clara: a medicina iria ajudar na hora certa. Mas isso não é totalmente verdade.
Nesse caminho há algo que inexoravelmente chega. O próximo ano de vida. A questão da idade vem se tornando o principal motivo pelo qual as mulheres buscam ajuda profissional em clínica de infertilidade. A vida atarefada do mercado de trabalho com a constante busca pelo sucesso juntamente com a vontade de viver intensamente suas experiências faz com que a maior parte delas deixe a maternidade em último plano, ainda que ter um filho seja um grande sonho.
O problema é quando chega a hora de deixar de lado as conquistas e buscar um filho. É fato não há uma idade certa para tentar a maternidade, mas é importante que a mulher esteja segura em sua decisão, afinal, quanto maior sua estabilidade emocional, financeira e familiar, mas serena será o caminho que virá.
O caminho deverá ter um inicio: saber onde estou nesse momento na questão fertilidade e hoje temos algumas alternativas. Dosagens hormonais e ultrassonografia para saber como anda o útero são clássicas formas de acessar a algumas dessas questões, mas ainda limitadas pois são um retrato momentâneo da mulher. Como uma foto, você pode tira-la vestida para uma festa ou acordando, certamente não será a real você.
Mais recentemente uma nova dosagem se tornou essencial para acessar este momento, a dosagem do hormônio anti-mulleriano. Com uma simples dosagem de sangue muito pode ser conhecido da mulher e um futuro mais assertivo pode ser determinado. Claro que o exame não termina nele mesmo, mas outros dados merecem, e precisam, ser conhecidos para que isto se torne claro.
Mulheres brasileiras esperam chegar aos 30 anos para pensar na maternidade. Essa é a conclusão do estudo “Saúde Brasil”. De acordo com a pesquisa, o percentual de mães nessa faixa etária passou de 22,5% em 2000 para 30,2% em 2012. A pesquisa apontou ainda que, quanto maior a escolaridade, maior a idade da mulher ao ter o primeiro filho.
Em minha opinião hoje qualquer mulher ao redor dos 35 anos, casada ou solteira, deveria buscar seu médico para se conhecer melhor. Mas por favor não aceite um simples: “mas você é tão jovem!” como resposta. Muitos colegas não estão ainda muito confortáveis com esta nova mulher que, cartesianamente, quer tornar sua vida mais segura. 
Como pai de 3 meninas sem dúvida não fugirei ao que ouvi a muito tempo atrás de meus próprios pais: engravidar cedo não!”, mas certamente todas terão sua fertilidade protegida por orientações nesse sentido.


sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Será que tenho problemas de infertilidade?

Está claro que infertilidade esta se tornando um problema real. A mudança de hábitos-costumes-trabalho das mulheres levaram a isso. E a tendência é se agravar. Cerca de 20% dos casais têm algum tipo de dificuldade para engravidar distribuídos de forma desigual entre os sexos (a mulher tem apresentado mais alterações). Para se ter um diagnóstico preciso antes de avançar para etapas mais complexas é importante conhecer a história do casal. Eis alguns sinais que indicam que a mulher pode ou não ter problemas de fertilidade. 

1 - Ciclo menstrual regular, ou seja, que ocorre regularmente a cada 28-30 dias, significa que a mulher provavelmente tem os hormônios sexuais em atividade normal e está ovulando.

2 - A faixa etária entre 20 e 34 anos condiz com boa reserva ovariana de folículos. Acima dos 35 anos, ocorre uma queda significativa dessa reserva, existindo ainda percentual maior para se gerar um bebê com alterações cromossômicas.

3 - A vida sexual ativa faz aumentar a possibilidade de fecundação. Aproximadamente 14 dias após o início de uma menstruação, o casal fértil tem maior probabilidade de engravidar (em torno de 20% a cada mês).

4 - Alterações fisiológicas no período pré-menstrual, tais como aumento das mamas, cólica e inchaço pelo corpo, indicam grande possibilidade de ciclos ovulatórios e hormonalmente equilibrados.

5 - Cólicas menstruais muito fortes podem estar relacionadas com a endometriose, doença que provoca infertilidade.

6 - Com frequência, as dores pélvicas também podem indicar alguma afecção na cavidade abdominal, desde aderências até inflamação das trompas, o que leva à infertilidade.

7 - Peso corpóreo em excesso ou baixo pode levar a distúrbios hormonais, dificultando o processo de ovulação. Mulher obesa que ganhou ou perdeu mais de 30% do peso nos últimos 12 meses deve ficar alerta.

8 - Cirurgias específicas podem prejudicar as trompas formando aderências e provocando infertilidade.

9 - Tabagismo ou alcoolismo podem dificultar a fertilidade tanto no homem como na mulher.

10 - O casal que apresenta vida sexual ativa sem o uso de métodos contraceptivos e ainda assim não consegue engravidar no período de um ano, é considerado infértil, por fator feminino e/ou masculino.

Fonte: internet
+Vamberto Maia Filho 


quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Gestação ectópica pós FIV: um problema real

Quando se pensa em reprodução humana e suas complicações de cara se pensa: multiparidade, hiperestimulação e acidentes no centro cirúrgico. Especificamente quando se faz Fertilizações in vitro (FIV). Contudo algo não muito comum e pouco frequente pela obviedade é a implantação fora do útero do embrião colocado dentro do útero em após uma FIV. A gestação ectópica.
A incidência é relativamente alta em algumas casuísticas e alcança até 5% dos casos. Apesar de algumas suspeitas o que de fato ocorre ainda é não bem explicado. A grande maioria dos casos acabar naturalmente, todavia quadros graves ocorrem. 
Este mês pela terceira vez em minha breve carreira uma gestação acabou evoluindo na trompa, justamente em uma grande amiga. A diferença entre esta e as demais foi o desfecho: a 1ª foi uma heterotópica (intra e extra uterina concomitante) sendo a tópica de gemelar e a ectópica única, ou seja era um trigemelar. Contudo da mesma forma que a 2ª a descoberta se deu no consultório e a cirurgia foi eletiva. Na 1ª depois da cirurgia a gestação transcorreu tranquila e na segunda a cirurgia foi dentro de um padrão eletivo. Esta última não. Um quadro grave e de risco a vida da paciente.
O quadro nem sempre é de fácil diagnóstico e pode representar um verdadeiro desafio diagnóstico. Este hiato pode ser decisivo no resultado final e no prognostico. Como neste meu último caso onde ultrassom foi realizado várias vezes, por múltiplos médicos e até uma ressonância foi feita, mas  o diagnóstico só foi dado pela grande perda sanguínea, com a paciente em choque hipovolêmico e necessidade de cirurgia imediata. 
As mulheres com suspeita de ter uma gravidez ectópica deveriam ser tratadas como casos urgentes nos hospitais, e podem representar emergências, segundo as diretrizes publicadas nos dias atuais.
O bem-estar emocional do casal também pode ser significativamente afetado e também é necessário certificar-se que sejam oferecidos conselhos e apoio aos que sofreram uma gravidez ectópica, sobretudo apoio emocional, durante o tratamento e depois do mesmo. Não é fácil para o casal ver sua sonhada gravidez ir embora numa sala cirúrgica.



quarta-feira, 21 de maio de 2014

O tipo de alimentação durante a gravidez pode afetar o cérebro da criança?


As mulheres grávidas têm um novo problema pelo qual preocupar-se enquanto batalham com os desejos de comida, conforme revela um novo estudo.Os pesquisadores dizem que pode existir uma associação entre uma alimentação com alto conteúdo de matéria gorda durante a gravidez e que o menino apresente doença de Alzheimer a uma idade avançada.
O achado surge de um estudo em ratos de laboratório e foi apresentado nesta semana em um congresso da caridade Alzheimer's Research UK em Oxford.Os pesquisadores descobriram que os ratos nascidos de mães que consumiam uma dieta com alto conteúdo de matéria gorda apresentavam problemas na circulação sanguínea do cérebro. 

A investigadora, Dra. Cheryl Hawkes, da Universidade de Southampton, disse: “Nossos achados preliminares parecem indicar que as dietas das mães durante a gravidez podem ter efeitos a longo prazo sobre os cérebros e a saúde vascular de seus filhos. Ainda precisamos investigar mais para compreender como se traduzem nossos achados no ser humano, mas por algum tempo soubemos que a proteção da saúde das mães durante a gravidez ajuda a diminuir o risco de problemas de saúde em seus filhos. Nosso seguinte passo será investigar de que maneira nossos achados poderiam ser relacionados à doença de Alzheimer nas pessoas”.
O diretor de pesquisa da Caridade, o Dr. Eric Karran, disse: “É importante lembrar que esta pesquisa foi realizada em ratos, mas estes resultados se somam aos dados disponíveis que indicam que o risco de doença de Alzheimer a uma idade mais avançada é afetado por nossa saúde a uma idade mais precoce. Este estudo vai um pouco além ao assinalar que o que ocorre na etapa intrauterina também pode ser importante.
Os achados foram bem recebidos pela Royal College of Midwives, mas cautelosa Louise Silverton, membro desta associação, disse: “É preciso assinalar que este é um estudo realizado em ratos, portanto se necessita de mais investigação para determinar se é aplicável em seres humanos. No entanto, cada vez há mais evidências sobre os efeitos favoráveis de comer saudavelmente tanto para a mulher grávida como para seu filho. O conselho para as mulheres é consumir uma alimentação variada com abundantes frutas e verduras, grãos inteiros e quantidades moderadas de matéria gorda bem como suficiente proteína. Esta pesquisa apoia isto e reforça a necessidade de difundir a mensagem quanto à importância da alimentação”.

Fonte: doctors.net.uk

segunda-feira, 12 de maio de 2014

As cesarianas causam problemas de fecundidade?


Existe uma máxima que após uma cesariana a mulher possa experimentar mais dificuldade em conseguir uma nova gestação. Uma recente pesquisa demonstrou que isso não deve ser totalmente verdade, revelaram pesquisadores britânicos. 
Alguns estudos prévios indicavam que o parto mediante operação cesariana estava associado a menos gravidezes, além de períodos mais prolongados entre gravidezes posteriores. Este impacto seria importante, já que as taxas de operação cesariana aumentaram nos últimos dois decênios. 
Então o Dr. Tahir Mahmood dos Hospitais Spire em Edimburgo, Reino Unido, e sua equipe de especialistas do Royal College of Obstetricians and Gynaecologists analisaram as evidências disponiveis. Utilizaram dados de mais de 1 milhão de mães que tinham dado a luz nos hospitais do NHS Inglês entre abril de 2000 e março de 2012. Cerca de um em cada cinco lactantes nasceram mediante operação cesariana e menos de 4% das cesarianas foram planejadas. 
Tanto as cesarianas de emergência como as planejadas deram por resultado menos lactentes subsequentes, mas isto só ocorreu no caso das mulheres que realizaram a cesariana devido a problemas médicos e não, por exemplo, as eletivas. 
A análise demonstrou que a redução evidente da fecundidade depois de uma cesariana se deve às circunstâncias médicas e sociais que levaram ao parto em si, mais que ao próprio procedimento. Os detalhes completos são publicados hoje (30 abril) na revista Human Reproduction.


É importante o possível efeito da operação cesariana sobre a fecundidade subsequente já que continua aumentando a idade das mulheres primigrávidas, bem como as taxas de operação cesariana. Ao distinguir cuidadosamente entre as diferentes complicações da gravidez, descobrimos que uma operação cesariana em uma mulher primigrávida envolve apenas um efeito muito pequeno sobre a fecundidade subsequente.
 O Royal College of Midwives do Reino Unido declara que os achados não deveriam ser motivo para que as mulheres pensem que a opção de um nascimento por cesariana é inócua. O fato de que os efeitos sobre a fecundidade sejam mínimos deveria acalmar as mulheres nas quais é necessária a operação cesariana e que podem desejar outro filho no futuro. No entanto, mesmo que seja menor o efeito sobre a fecundidade do que era suposto isto não compensa outros efeitos negativos das operações cesarianas. É uma operação cirúrgica maior que tem o potencial de mais complicações cada vez que uma mulher é submetida a este procedimento.

Fonte: doctors.net.uk

segunda-feira, 10 de março de 2014

FINASTERIDA E INFERTILIDADE MASCULINA

         A Universidade de Toronto indicaram que, se confirmada em outros estudos, pode indicar um possível efeito reversível do uso em baixas doses de finasterida em homens com oligoespermia. Os autores examinaram 27 homens que tomavam 1 mg de finasterida por aproximadamente 5 anos, e encontraram um aumento de 11,6 vezes na contagem de espermatozidestozoides após 2 a 3 meses na interrupção do uso de finasterida. Os autores não encontraram impacto da finasterida sobre a motilidade, morfologia, ou parâmetros hormonais neste grupo de homens.

Finasterida em 5 mg diárias foi aprovado pelo os EUA (FDA - Food and Drug Administration) em 1992 para hiperplasia prostática benigna. Em 1 mg de finasterida por dia, foi aprovado em 1997 para a alopecia androgenética (Propecia®, Merck) e é usado por muitos homens em idade reprodutiva. Os trabalhos anteriores por Amory et al. ( 2 ) tem demonstrado que o uso de 5 mg/dia de finasterida reduz múltiplos parâmetros seminais , mas o trabalho por Overstreet et al . (3) revelou que o uso de 1 mg por dia não teve impacto sobre parâmetros seminais de homens férteis. Embora o mecanismo de ação de redução de finasterida de contagem de espermatozoides permanece desconhecido. Com base em dados do censo 2011 nos Estados Unidos, há cerca de 83 milhões de homens com idades entre 20-60, nos Estados Unidos, ou seja, grande potencial de uso. Assim, podemos estimar que 4,1 milhões de homens em idade reprodutiva podem estar tomando finasterida nos Estados Unidos. Se assumirmos que 20% dos casais têm infertilidade, que 50% das vezes, isso está relacionado a fatores masculinos, e que 50% desses homens têm oligozoospermia, podemos dizer que 5% dos 4,1 milhões de homens, 200 mil homens poderiam estar em risco de ter finasterida como fator de infertilidade! Assim, estes autores descreveram o que poderia ser um problema significativo que afeta muitos homens. Apesar de seu trabalho ser a maior série até à data sobre a finasterida e infertilidade masculina, ele tem limitações. Os 27 homens estudados foram uma população heterogênea, assim, até 15 dos 27 tinham outros problemas de infertilidade masculina, apenas um homem teve uma avaliação endócrina, antes e após a cessação do finasterida, e nem todos os homens apresentaram dados completos disponíveis. Este trabalho, se confirmado por outros estudos, poderia demonstrar um impacto clinicamente significativo de finasterida na contagem de espermatozoides entre os homens oligospérmicos. Mais importante, a cessação de finasterida daria aos homens uma chance razoável de concepção natural, ao passo que se tivessem continuado a tomar finasterida podem ter necessário a fertilização in vitro ou inseminação intrauterina. 

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

HORÁRIO DAS REFEIÇÕES PODE MELHORAR SIGNIFICATIVAMENTE A FERTILIDADE NAS MULHERES COM OVÁRIOS POLICÍSTICOS

Síndrome do ovário policístico (SOP), um distúrbio comum que prejudica a fertilidade, impactando na menstruação, na ovulação, nos hormônios, etc., está estreitamente relacionado aos níveis de insulina. As mulheres com o transtorno são normalmente “resistentes à insulina”; seus corpos produzem um excesso de insulina para levar o glicose do sangue até os músculos. O excesso chega aos ovários, onde estimula a produção de testosterona, prejudicando assim a fertilidade.
A professora Daniela Jakubowicz, da Faculdade de Medicina Sackler da Universidade de Tel Aviv e da Unidade de Diabetes do Centro Médico Wolfson, tem detectado uma forma natural de ajudar as mulheres de peso normal que sofrem da síndrome de ovário policístico a manejar seus níveis de glicose e insulina para melhorar a fertilidade em geral.   A pesquisadora afirma que tudo se trata dos horários.
O objetivo de seu plano alimentar de manutenção, baseado no ciclo metabólico de 24 horas do corpo, não é a perda de peso, mas o manejo da insulina. As mulheres com SOP que aumentaram o consumo de calorias no café da manhã, incluindo conteúdos altos em proteínas e hidratos de carbono, e reduziram seu consumo de calorias durante o resto do dia, apresentaram uma redução na resistência à insulina. Isto levou para níveis mais baixos de testosterona e um aumento significativo na frequência da ovulação, medidas que têm um impacto direto na fertilidade, observa a professora Jakubowicz.

Manejo da insulina para aumentar a ovulação
Muitas das opções de tratamento para SOP são exclusivamente para mulheres obesas, explica a professora Jakubowics. Os médicos com frequência sugerem reduzir o peso para manejar os níveis de insulina, ou prescrever medicações que são usadas para melhorar os níveis de insulina das pacientes com sobrepeso.   Mas muitas mulheres que sofrem de SOP mantêm um peso normal; e elas estão procurando formas de melhorar suas possibilidades de ficar grávidas e ter um bebê saudável.
Em um estudo recente, a professora e seus colegas pesquisadores confirmaram que um plano de dietas de baixas calorias com foco em um café da manhã maior e jantares menores também diminui os níveis de insulina, glicose e triglicerídeos.  Este achado inspirou os científicos a testar se um plano alimentar semelhante poderia ser uma opção terapêutica efetiva para mulheres com SOP.
Sessenta mulheres com SOP com índice de massa corporal (IMC) normal foram atribuídas de forma randomizada a uma de duas dietas de manutenção de 1800 calorias com alimentos idênticos.  O primeiro grupo consumiu um café da manhã de 983 calorias, um almoço de 645 calorias e um jantar de 190 calorias.  O segundo grupo consumiu um café da manhã de 190 calorias, um almoço de 645 calorias e um jantar de 983 calorias.  Após 90 dias, os pesquisadores determinaram para as participantes de cada grupo os níveis de insulina, glicose e testosterona, bem como avaliaram a ovulação e a menstruação.
Como esperado, nenhum dos grupos experimentou uma mudança no IMC, mas outras medições variaram significativamente.  “Enquanto as participantes no grupo “jantar mais calórico” manteve consistentemente os altos níveis de insulina e testosterona ao longo do estudo, aquelas no grupo “café da manhã mais calórico” experimentaram uma diminuição de 56% na resistência à insulina e uma redução de 50%  na testosterona. Esta redução de níveis de insulina e testosterona levaram para um aumento de 50% na taxa de ovulação, indicada por um aumento na progesterona, no final do estudo.

Uma terapia natural
A professora Jakubowics explica que estes resultados sugerem que o horário das refeições (especificamente um plano de alimentação que exija que a maioria das calorias diárias sejam consumidas no café da manhã e uma redução de calorias no resto do dia), poderia ajudar as mulheres com SOP a manejar sua condição naturalmente, proporcionando uma nova esperança para aquelas que não têm encontrado soluções para seus problemas de fertilidade.   SOP não só inibe a fertilização natural, também tem impacto na eficácia nos tratamentos de fertilização in vitro e aumenta a taxa de abortos.
E além dos temas da fertilidade, este método poderia mitigar outros sintomas associados ao distúrbio, incluindo os pelos do corpo, o cabelo oleoso, a perda de cabelo e a acne.  Por outro lado, poderia proteger contra o desenvolvimento do diabetes tipo 2.

Referências:
Daniela Jakubowicz, Maayan Barnea, Julio Wainstein, Oren Froy. Effects of caloric intake timing on insulin resistance and hyperandrogenism in lean women with polycystic ovary syndromeClinical Science, 2013; 125 (9): 423 DOI: 10.1042/CS20130071

Fonte: Science Daily  

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

OBESIDADE TAMBÉM ATRAPALHA A FERTILIDADE

Não é de hoje que temos batido na tecla de que os novos hábitos de vida tem atrapalhado a reprodução humana: tabagismo,  consumo de álcool e drogas, estresse, maior número de parceiros e obesidade. O que talvez poucos saibam é que a obesidade é prejudicial tanto para homens e mulheres. 

Estudo realizado por cientistas australianos e ingleses, publicado na revista The Lancet, em 2007 mostrou que os crescentes níveis de obesidade terão como consequência o aumento de casos de infertilidade entre as mulheres e homens, principalmente em países desenvolvidos. A estimativa é que esse número aumentará em 20% o número de casais que precisarão recorrer a tratamentos de reprodução assistida. De acordo com o artigo, a obesidade tem um efeito substancial na manifestação da síndrome dos ovários policísticos. Não levando em consideração às complicações inerentes a obesidade na gravidez em si.
Ainda nesta pesquisa revela que homens obesos são acometidos da perda de níveis de testosterona, o hormônio masculino mais relacionado com fertilidade e ato sexual, e da quantidade de espermatozoides devido a aproximação do testículo ao corpo e assim aumento de sua temperatura, aumentando os níveis de homens inférteis.
A título de ilustração, hoje calculasse que os EUA têm aproximadamente 35% de toda sua população com sobre peso ou obesidade.
Não há como negar que perder peso é difícil, mas que isto seja mais um motivador do processo como um todo. Emagreça para ter (além de uma ótima saúde) filhos!

+Vamberto Maia Filho

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

RESPOSTA OVARIANA: COMO TENTAR PREDIZER O QUE ACONTECERÁ.

Quem não gostaria de saber o futuro? Na vida como na ciência isto seria maravilhoso. Com a busca por uma gestação mais tardia isto tem sido muito importante para quem faz reprodução humana. Os marcadores de resposta ovariana são ferramentas úteis no contexto da estimulação ovariana controlada (EOC), não só para prever a resposta à estimulação, mas também para definir uma estratégia de tratamento individualizada. Apesar de vários marcadores disponíveis, incluindo os hormonais, funcionais e genéticos, dois deles, especificamente hormônio anti-mulleriano (AMH) e a contagem de folículos antrais (AFC), têm dominado o cenário clínico nos últimos anos.
AMH e AFC são válidos porque eles podem identificar com precisão semelhante (~ 80%), os pacientes com reserva ovariana diminuída e aqueles em risco de resposta excessiva (SHOO). Ao contrário de FSH e da inibina B, o AMH se correlaciona com o número de folículos existentes em fase independentes fases da menstruação. AMH tem baixa variabilidade intra e inter ciclo, o que faz com que seja possível avaliar os seus níveis em qualquer dia do ciclo e em uma única medida. Em contraste, o AFC avalia a coorte de folículos na fase inicial da menstruação daquele ciclo e é um excelente preditor de resposta à estimulação que será realizada. Estes folículos são facilmente detectados ao ultrassom transvaginal e assim a perspectiva de resposta a estimulação fica mais clara. O número de folículos no início do ciclo representa a reserva ovariana daquele momento. 


A principal utilidade clínica da AMH e AFC é ajudar os médicos a identificar corretamente os pacientes em risco de resposta elevada e baixa, e, portanto, individualizar EOC. Um exemplo é a utilização de baixas doses iniciais de medicação em mulheres identificadas como em risco de resposta excessiva. Essa abordagem tem demonstrado bons resultados minimizando riscos de SHOO e melhorando o custo-eficiência dos tratamentos em baixas respondedoras.


Infelizmente para gravidez nenhum dos marcadores são indicadores precisos. Resposta ovariana à EOC reflete a reserva ovariana, mas a ocorrência de gravidez após tratamento está relacionada a vários fatores, incluindo a reserva ovariana, qualidade dos óvulos, qualidade do embrião, receptividade endometrial, problemas de saúde, causas da infertilidade e outros. Saber o que esta por vir é importante para que os casais se sintam seguros e confiantes diante do nebuloso. Acreditar no seu médico e na estrutura é ainda um importante passo no sucesso do tratamento.