Não faz muito tempo
quando ainda adolescente minha mãe me chamou e a minha irmã e disse: “Preste
atenção vocês dois, primeiro os estudos e a profissão, nem pensem em filhos
agora. Estão ouvindo!”. Na época nada parecia mais correto e quem dos meus
amigos engravidou foi massacrado. Alguém conhece esta história?
Qual não foi a mulher
que nesses últimos 20 anos não se dedicou aos estudos para conseguir seu espaço
em detrimento da família. Atualmente, as prioridades femininas convergem para a
vida profissional e independência financeira, por isso, o sonho de ter um filho
acaba sendo adiado. A ideia seria clara: a medicina iria ajudar na hora certa.
Mas isso não é totalmente verdade.
Nesse caminho há algo
que inexoravelmente chega. O próximo ano de vida. A questão da idade vem se
tornando o principal motivo pelo qual as mulheres buscam ajuda profissional em
clínica de infertilidade. A vida atarefada do mercado de trabalho com a
constante busca pelo sucesso juntamente com a vontade de viver intensamente
suas experiências faz com que a maior parte delas deixe a maternidade em último
plano, ainda que ter um filho seja um grande sonho.
O problema é quando
chega a hora de deixar de lado as conquistas e buscar um filho. É fato não há
uma idade certa para tentar a maternidade, mas é importante que a mulher esteja
segura em sua decisão, afinal, quanto maior sua estabilidade emocional,
financeira e familiar, mas serena será o caminho que virá.
O caminho deverá ter um
inicio: saber onde estou nesse momento na questão fertilidade e hoje temos
algumas alternativas. Dosagens hormonais e ultrassonografia para saber como
anda o útero são clássicas formas de acessar a algumas dessas questões, mas
ainda limitadas pois são um retrato momentâneo da mulher. Como uma foto, você
pode tira-la vestida para uma festa ou acordando, certamente não será a real
você.
Mais recentemente uma
nova dosagem se tornou essencial para acessar este momento, a dosagem do
hormônio anti-mulleriano. Com uma simples dosagem de sangue muito pode ser
conhecido da mulher e um futuro mais assertivo pode ser determinado. Claro que
o exame não termina nele mesmo, mas outros dados merecem, e precisam, ser
conhecidos para que isto se torne claro.
Mulheres
brasileiras esperam chegar aos 30 anos para pensar na maternidade. Essa é a
conclusão do estudo “Saúde Brasil”. De acordo com a pesquisa, o percentual de
mães nessa faixa etária passou de 22,5% em 2000 para 30,2% em 2012. A pesquisa
apontou ainda que, quanto maior a escolaridade, maior a idade da mulher ao ter
o primeiro filho.
Em minha opinião hoje
qualquer mulher ao redor dos 35 anos, casada ou solteira, deveria buscar seu
médico para se conhecer melhor. Mas por favor não aceite um simples: “mas você
é tão jovem!” como resposta. Muitos colegas não estão ainda muito confortáveis
com esta nova mulher que, cartesianamente, quer tornar sua vida mais
segura.
Como pai de 3 meninas
sem dúvida não fugirei ao que ouvi a muito tempo atrás de meus próprios pais:
engravidar cedo não!”, mas certamente todas terão sua fertilidade protegida por
orientações nesse sentido.
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