quarta-feira, 15 de abril de 2015

SOMENTE 30% DOS EMBRIÕES IMPLANTADOS NA CAVIDADE UTERINA CHEGAM A GESTAÇÃO COM ÊXITO


Não é de hoje que o maior problema dos tratamentos em reprodução humana é a obtenção da gestação em si. Há uma estimativa de que a infertilidade afeta cerca de um em cada cinco casais, sendo o fator feminino o responsável pela maior parte dos casos. O conhecimento das etapas da fertilização, questões laboratoriais, o crescimento embrionário e a indução da ovulação estão bem conhecidos e controlados, contudo os resultados na obtenção da gravidez praticamente não se alteraram nas últimas duas décadas. Aproximadamente 70% dos embriões morfologicamente normais transferidos ao útero serão reabsorvidos antes da confirmação da gestação. Este é um dos principais fatores limitantes às técnicas de reprodução humana assistida; a falha da implantação embrionária que é complexa e pobremente entendida.
               Assim um fator particularmente importante para o sucesso de uma gravidez é a receptividade endometrial, que corresponde ao estado em que o endométrio se encontra para que ocorra a implantação embrionária. Nesse sentido pesquisas foram feitas para entender melhor e buscar alternativas para a aumento das taxas de gravidez.
Neste processo apareceu uma ferramenta para identificar o período receptivo do endométrio e estabelecer uma transferência de embriões personalizada (pET). O teste está indicado para mulheres com falhas de implantação mesmo tendo embriões de boa qualidade.
Ação de biopsiar o útero

Aproximadamente em 25% destas pacientes é detectado um deslocamento da janela de implantação. Um fator particularmente importante para o sucesso é a receptividade endometrial, que corresponde ao estado em que o endométrio se encontra para que ocorra a implantação do embrião. Esse período é chamado de janela de implantação. O laboratório espanhol IGENOMIX desenvolveu o teste ERA (Endometrial Receptivity Array), uma ferramenta de diagnóstico molecular que através de uma biópsia endometrial analisa a expressão de 238 genes envolvidos na receptividade do endométrio, permitindo determinar se uma mulher é ou não receptiva no momento da retirada da amostra. Caso o resultado seja positivo, isso significa que a janela de implantação é localizada no dia em que a biópsia foi realizada, e o embrião irá implantar no útero durante esse período. Um estado não receptivo significa uma janela de implantação deslocada e uma nova biópsia deve ser realizada de acordo com o resultado indicado pelo sistema informático, indicando a janela de implantação personalizada de cada paciente. Isso permite que o embrião implante com sucesso nos ciclos subsequentes o que denominamos de pET.
Um estudo recente, realizado em 2014, com pacientes que realizaram o teste ERA, concluiu que após a primeira biópsia, 24% das pacientes resultaram em não receptivas. E, em 88% desses casos, uma segunda biópsia localizou a janela de implantação e, portanto, o período em que a paciente estava receptiva.

Claro que não estamos diante de um tratamento universal e que deverá ser aplicado a todos os casais submetidos a tratamentos de infertilidade, mas sem dúvida abre mais uma janela para melhores taxas de sucesso ao tratamento e elucidações de questões antes poucos esclarecidas. 

Um comentário:

  1. Ola doutor :)
    No meu caso fariamos este teste para aumentar as minhas chances?

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