quinta-feira, 14 de abril de 2011

Quando ser Mãe

Todo e qualquer seminários que se preze sempre tem uma sessão sobre idade x fertilidade. Todos se perguntam: qual a idade certa para ser mãe? Desde cedo, quando criança, ouvia os planos: “vou me casar e ter filhos” da boca de minhas “amiguinhas. Na adolescência, poucas repetiam isto, o discurso agora era: Faculdade primeiro, vencer profissionalmente, casa própria, carro quitado, viagem para Europa... mas gestação só para as tolas!!!

Em recente pesquisa com executivas da wallstreet centro financeiro americano, mais de 90% acreditavam que poderiam ser mãe quando quiserem, e não se preocupavam com idade. A nossa sociedade moderna não levou em consideração que a função reprodutiva feminina é finita, pois o número total de óvulos já esta determinado desde o nascimento e não há como parar o tempo. Do ponto de vista de resultados em tratamentos a melhor etapa para se engravidar é até os 30 anos – fato. Depois disso é uma corrida contra o tempo: A saber, quantidade e qualidade de óvulos que se vão.

Não discuto que uma gestação precoce é conturbada, para falar o mínimo. Mais tenho convicção que os piores momentos no consultório são daquelas mulheres que priorizaram a vida profissional, patrimonial e pessoal, em detrimento a gestacional e não conseguiram engravidar. Uma coisa é não quere engravidar, outra é não conseguir.

O tratamento de pacientes com idade mais avançada representa um dos maiores desafios da medicina reprodutiva. Os avanços das técnicas levaram ao aumento significativo no sucesso gestacional em pacientes com idade inferior a 35 anos. No entanto, esse crescimento não ocorreu nas taxas de gestação nas pacientes com mais 35 anos. Nesses casos, há uma dificuldade na resposta ovariana da paciente e um menor número óvulos com qualidade para os tratamentos. Como conseqüência, temos uma eficácia reduzida na implantação dos embriões, baixas taxas de gestação e altas taxas de aborto espontâneo. Também há maior incidência de problemas genéticos nos gametas dessas pacientes.

No ano passado um novo exame que avalia a reserva ovariana  chegou para ajudar muito no reconhecimento precoce de mulheres com rápida depleção das reservas ovarianas – o hormônio anti-mulleriano (AMH). Os demais métodos não perderam sentido, pelo contrário, continuam e muito sendo usado com real aplicação. Não existe substituição, e sim adição de forças.
O fato é que o máximo de óvulos que a mulher produziu na vida foi na 25ª semana de gestação da vida intra uterina dela mesma. Naquela ocasião acreditasse que existiriam de 6 a 20  milhões de óvulos. Ao nascerem esse número cai para 4 milhões e na primeira menstruação chega a 400.000 óvulos. Mensalmente algo em torno de 1.000 óvulos são recrutados, um ovulado e os demais perdidos. Usar contraceptivo não muda nada, já que a apoptose celular (morte programada) fará a destruição mensal independente de estar ou não ovulando. 

A idade da paciente sempre será um dos principais fatores prognósticos em qualquer tratamento de reprodução humana. É possível resolver as dificuldades na imensa maioria dos casos. No entanto, não temos como parar o processo inexorável que levará à menopausa. A velocidade em que isso ocorre depende muito do organismo de cada mulher. 

Talvez a mensagem final é: equilíbrio sempre. Quem acompanha minha historia e de minhas trigêmeas pode imaginar que minha vida mudou, mas nunca estive tão feliz – e se soubesse, teria sido pai antes. Desejo que vocês consigam ser mães também. A medicina reprodutiva está aqui para fazer a parte dela, mas vocês podem planejar a maternidade, evitando as complicações advindas com a idade.

Idade e Maternidade

Esta semana me deparei com o caso da atriz Solange Couto, a eterna "dona Jura", e sua gestação. Feliz da vida com a gravidez, aos 54 anos.
Obviamente esta gravidez leva a vários questionamentos, principalmente quanto a idade possível para se engravidar. Segundo os padrões da medicina as chances de uma gravidez natural após os 50 anos são menos de 1%. E os riscos de abortamento e de nascimento de bebês com síndromes genéticas são altíssimos.
Eterna Dona Jura - Solange Couto
Não vou aqui polemizar se esta gravidez é natural ou não, convenhamos isto é do foro intimo da atriz, mas questionar quando a mulher deve engravidar é pertinente e vez ou outra me ponho a pensar se o que faço pode gerar uma família desestruturada.
A mamãe com mais idade do mundo, ao natural – sem óvulos de terceiros, é de uma britânica Mrs. Dawn Brooke que engravidou e deu à luz um bebê aos 59 anos, em 1997. Lembro que o ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozóide) foi descoberta por Palermo em 1992. Antes, o recorde mundial pertencia a uma norte-americana, de Los Angeles (EUA), que foi mãe aos 57 anos. Com uma ajudinha nossa já existe duas indianas que engravidaram aos 70 anos, claro que com óvulos doados.
E agora será que a medicina pode se envolver em quem deve ou não engravidar. Um homem de 80 anos pode e uma mulher não? Claro que uma gravidez tem inúmeros riscos e com a idade tudo fica mais complexo, talvez aí resida a nossa resposta – se houver saúde diria que sim, idade passa a ser um dado a mais.
Para me contradizer, a espanhola Maria Del Carmen Bousada Lara, que teve gêmeos aos 66 anos em 2006, com óvulos de uma outra mulher e sêmen de um banco nos EUA, apresentou e veio a falecer 5 meses após o parto por um câncer de mama, deixando órfãos os bebês.
Penso, com convicção, que a idade é um fator determinante para uma gestação, mas não cabe a nos, médicos, dizer quem pode ou não engravidar. Bom senso e critérios, desprovidos de desejos pecuniários, devem sempre ser o mais importante.
Como diria a própria Dona Jura – “não é brinquedo não”.