quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Gestação ectópica pós FIV: um problema real

Quando se pensa em reprodução humana e suas complicações de cara se pensa: multiparidade, hiperestimulação e acidentes no centro cirúrgico. Especificamente quando se faz Fertilizações in vitro (FIV). Contudo algo não muito comum e pouco frequente pela obviedade é a implantação fora do útero do embrião colocado dentro do útero em após uma FIV. A gestação ectópica.
A incidência é relativamente alta em algumas casuísticas e alcança até 5% dos casos. Apesar de algumas suspeitas o que de fato ocorre ainda é não bem explicado. A grande maioria dos casos acabar naturalmente, todavia quadros graves ocorrem. 
Este mês pela terceira vez em minha breve carreira uma gestação acabou evoluindo na trompa, justamente em uma grande amiga. A diferença entre esta e as demais foi o desfecho: a 1ª foi uma heterotópica (intra e extra uterina concomitante) sendo a tópica de gemelar e a ectópica única, ou seja era um trigemelar. Contudo da mesma forma que a 2ª a descoberta se deu no consultório e a cirurgia foi eletiva. Na 1ª depois da cirurgia a gestação transcorreu tranquila e na segunda a cirurgia foi dentro de um padrão eletivo. Esta última não. Um quadro grave e de risco a vida da paciente.
O quadro nem sempre é de fácil diagnóstico e pode representar um verdadeiro desafio diagnóstico. Este hiato pode ser decisivo no resultado final e no prognostico. Como neste meu último caso onde ultrassom foi realizado várias vezes, por múltiplos médicos e até uma ressonância foi feita, mas  o diagnóstico só foi dado pela grande perda sanguínea, com a paciente em choque hipovolêmico e necessidade de cirurgia imediata. 
As mulheres com suspeita de ter uma gravidez ectópica deveriam ser tratadas como casos urgentes nos hospitais, e podem representar emergências, segundo as diretrizes publicadas nos dias atuais.
O bem-estar emocional do casal também pode ser significativamente afetado e também é necessário certificar-se que sejam oferecidos conselhos e apoio aos que sofreram uma gravidez ectópica, sobretudo apoio emocional, durante o tratamento e depois do mesmo. Não é fácil para o casal ver sua sonhada gravidez ir embora numa sala cirúrgica.