segunda-feira, 4 de novembro de 2013

RESPOSTA OVARIANA: COMO TENTAR PREDIZER O QUE ACONTECERÁ.

Quem não gostaria de saber o futuro? Na vida como na ciência isto seria maravilhoso. Com a busca por uma gestação mais tardia isto tem sido muito importante para quem faz reprodução humana. Os marcadores de resposta ovariana são ferramentas úteis no contexto da estimulação ovariana controlada (EOC), não só para prever a resposta à estimulação, mas também para definir uma estratégia de tratamento individualizada. Apesar de vários marcadores disponíveis, incluindo os hormonais, funcionais e genéticos, dois deles, especificamente hormônio anti-mulleriano (AMH) e a contagem de folículos antrais (AFC), têm dominado o cenário clínico nos últimos anos.
AMH e AFC são válidos porque eles podem identificar com precisão semelhante (~ 80%), os pacientes com reserva ovariana diminuída e aqueles em risco de resposta excessiva (SHOO). Ao contrário de FSH e da inibina B, o AMH se correlaciona com o número de folículos existentes em fase independentes fases da menstruação. AMH tem baixa variabilidade intra e inter ciclo, o que faz com que seja possível avaliar os seus níveis em qualquer dia do ciclo e em uma única medida. Em contraste, o AFC avalia a coorte de folículos na fase inicial da menstruação daquele ciclo e é um excelente preditor de resposta à estimulação que será realizada. Estes folículos são facilmente detectados ao ultrassom transvaginal e assim a perspectiva de resposta a estimulação fica mais clara. O número de folículos no início do ciclo representa a reserva ovariana daquele momento. 


A principal utilidade clínica da AMH e AFC é ajudar os médicos a identificar corretamente os pacientes em risco de resposta elevada e baixa, e, portanto, individualizar EOC. Um exemplo é a utilização de baixas doses iniciais de medicação em mulheres identificadas como em risco de resposta excessiva. Essa abordagem tem demonstrado bons resultados minimizando riscos de SHOO e melhorando o custo-eficiência dos tratamentos em baixas respondedoras.


Infelizmente para gravidez nenhum dos marcadores são indicadores precisos. Resposta ovariana à EOC reflete a reserva ovariana, mas a ocorrência de gravidez após tratamento está relacionada a vários fatores, incluindo a reserva ovariana, qualidade dos óvulos, qualidade do embrião, receptividade endometrial, problemas de saúde, causas da infertilidade e outros. Saber o que esta por vir é importante para que os casais se sintam seguros e confiantes diante do nebuloso. Acreditar no seu médico e na estrutura é ainda um importante passo no sucesso do tratamento.