segunda-feira, 14 de março de 2011

Avaliação histeroscópica em pacientes com infertilidade

HSC diagnóstica
A histeroscopia (HSC) constitui um importante método propedêutico na investigação da infertilidade conjugal, complementando o estudo da pelve feminina em conjunto com a ultrassonografia transvaginal (USG) e a histerossalpingografia (HSG).
A HSG é de grande importância na avaliação da perme­abilidade tubária. Entretanto, apresenta muitas limitações no estudo da cavidade uterina, e muitas vezes não permite o diagnóstico diferencial de algumas malformações ou de doenças como sinéquias, miomas submucosos ou pólipos, que são sugeridos com a identificação de falhas de enchimento. A USG, quando comparada com a HSG, demonstra uma acurácia menor. Aproximadamente 40% dos casos de infer­tilidade que são referenciados para histeroscopia demonstram achados inesperados de anormalidades. Embora esse valor seja significativo, não há consenso sobre a utilização prévia de histeroscopia em todas as pacientes com infertilidade.
Pólipo endometrial

A HSC permite visão direta e estudo detalhado do canal cervical e de seu trajeto, do aspecto morfológico e funcional do orifício interno, além da avaliação estrutural e morfológica da cavidade uterina. Frequentemente, é capaz de diagnosticar e tratar doenças que interferem na fecundação, nidação ou na manutenção da gestação, podendo elevar as taxas de sucesso da fertilização in vitro (FIV).

Os estudos e recomendações recentes são discordantes em relação ao momento da indicação da HSC nas pacientes em pesquisa de infertilidade. Enquanto alguns indicam a HSC em todas as pacientes que serão submetidas à FIV com base em trabalhos que mostram anormalidade em cavidade mesmo com USG e HSG normais, outros somente a indicam em caso de alterações na USG e/ou na HSG ou em casos de falha em FIV prévia.

HSC diagnóstica - miscelânias

A HSC apresenta a importante vantagem sobre os outros métodos propedêuticos da confirmação anatomopa­tológica das lesões identificadas visualmente, por meio da biópsia dirigida. Isto permite que o diagnóstico possa ser realizado mesmo que haja falha na identificação da doença. Ao mesmo tempo, a HSC permite o tratamento de vários dos achados como, por exemplo, pólipos e miomas.
Há uma escassez de dados sobre casuísticas brasileiras na avaliação de pacientes inférteis por meio da HSC. Há uma predominância de estudos europeus e americanos.
Assim a indicação deste deve ser ponderada em casos de infertilidade conjugal, mas sem a obrigatoriedade deste.

Lasmar, R.B. et al.Avaliação histeroscópica em pacientes com infertilidade. RBGO, Agosto 2010 - Volume 32, nº 8, pág 393.