quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Enjoos matinais podem sinalizar gravidez mais saudável

Mulheres que passam pelo desconforto dos enjoos matinais no início da gravidez são menos propensas a sofrer um aborto, aponta uma recente pesquisa publicada na revista especializada Human Reproduction.
 Gestantes que não apresentam náusea ou vômito durante os primeiros três meses, no entanto, não precisam se alarmar, afirmou Ronna L. Chan, uma das autoras do estudo, em entrevista à Reuters Health. Nem todas as mulheres que passam por gestações saudáveis sofrem náusea e vômito nem no início nem ao longo da gravidez.
Além disso, os sintomas que acompanham a gravidez podem variar até mesmo de uma gestação para outra da mesma mulher”, disse a especialista, da Universidade da Carolina do Norte (EUA).
Entre 50 e 90% das mulheres são acometidas por enjoos matinais no início da gravidez, relataram Chan e sua equipe no artigo publicado na revista.
Estudos anteriores já haviam constatado que mulheres que apresentam tais sintomas são menos propensas a sofrer um aborto. Para investigar a relação em mais detalhes, Chan e sua equipe analisaram não somente a presença ou ausência destes sintomas, mas também a duração dos mesmos, em mais de 2.400 mulheres residentes de três cidades norte-americanas.
Nossos estudos apresentaram várias vantagens em relação a estudos anteriores, pois recrutamos gestantes no início da gravidez ou ainda mulheres que estavam tentando engravidar. Dessa forma, conseguimos acompanhá-las ao longo da gestação, coletando dados relacionados ao momento e à ocorrência das náuseas e vômitos desde o início”, explicou a pesquisadora.
Entre as participantes, 89% apresentaram algum tipo de enjoo matinal, enquanto que 53% tiveram tanto vômito quanto náusea – 11% das mulheres sofreram um aborto espontâneo antes da vigésima semana.
Chan e sua equipe constataram que aquelas que não apresentaram náusea ou vômito durante os primeiros três meses de gravidez se mostraram 3.2 vezes mais propensas a sofrer um aborto.
Essa relação se mostrou especialmente forte em mulheres mais velhas; mulheres abaixo dos 25 anos de idade que não apresentaram enjôos matinais se mostraram 4 vezes mais propensas a sofrer um aborto em relação a suas colegas que tiveram náusea e vômito, enquanto que o risco de aborto aumentou quase que em 12 vezes para as mulheres acima dos 35 anos que não apresentaram enjoos matinais.
As pesquisadoras constataram que quanto mais tempo a mulher teve tais sintomas, mais baixo foi o risco de sofrer um aborto espontâneo. Tal associação foi especialmente forte em mulheres mais velhas. Aquelas com mais de 35 anos de idade que tiveram enjoos matinais por pelo menos a metade do tempo de gestação se mostraram 80% menos propensas a sofrer um aborto do que as da mesma faixa etária que não apresentaram tais sintomas.
Entretanto, por causa da natureza do estudo, os autores não puderam comprovar se houve uma relação causa-efeito entre os enjoos matinais e s gravidez mais saudável, apenas que os dois fatores estão relacionados.
Alguns postulam que a náusea e o vômito durante a gravidez formam um mecanismo que ajuda a melhorar a qualidade da dieta das gestantes, ou ainda uma maneira de reduzir ou eliminar substâncias potencialmente prejudiciais à mãe para proteger o feto”, explicou Chan.
A pesquisadora afirmou que mesmo que sejam idéias “plausíveis”, ela acha que os sintomas refletem a sensibilidade da gestante ao aumento agudo de determinados hormônios essências para sustentar a gravidez, o que ocorre nos primeiros três meses.

* Por Anne Harding
Fonte: Reuters

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Casal consegue ter bebê após 22 anos de tentativas

Para aqueles que perderam a esperança mais uma história maravilhhosa da nossa de superação.

Um casal que esperou 22 anos para conseguir ter um filho comemorou a chegada de seu primeiro bebê este mês, na Grã-Bretanha.
Susan Comiskey, de 42 anos, deu à luz Anna Margaret apenas um ano após ter vencido uma batalha contra o câncer, que incluiu duas operações e um tratamento de radioterapia.
"Ela é um milagre, um presente", disse o pai, de 55 anos. Susan e Shane Comiskey se casaram em 1988 e começaram imediatamente a tentar ter filhos, mas não tiveram sucesso.
"Quando as pessoas perguntavam se tínhamos filhos, Shane costumava dizer que já havíamos feito o pedido, mas que o bebê ainda não tinha sido entregue", contou Susan.
Susan e Shane Comiskey


Os médicos acreditavam que seus problemas de fertilidade eram causados por um pequeno tumor benigno na glândula pituitária, que teria aumentado os níveis do hormônio prolactina, suspendendo a ovulação e alterando os ciclos menstruais. Quando o casal foi morar em Liverpool, no norte da Inglaterra, em 2007, Susan começou a se tratar com o especialista em fertilidade Nabil Aziz. Ele receitou remédios para regular seu ciclo reprodutivo, o que aumentou suas chances de conceber de forma natural e também reduziu o tumor.

Câncer
Durante uma consulta em 2008, o médico notou um nódulo no pescoço de Susan.
"Eu já havia visto aquilo, mas não achei nada de mais. Aziz disse que não estava gostando da aparência do nódulo e ligou para a oncologista Alison Waghorn no Hospital Universitário Royal Liverpool, que concordou em me ver quase imediatamente", disse Susan.
Ela foi diagnosticada com câncer de tireoide. "Foi um choque terrível descobrir que eu tinha câncer, mas mesmo durante o tratamento, eu estava pensando que mais um ano ia se passar sem a chance de ter um bebê."

Susan terminou o tratamento em 2009 e em janeiro deste ano, começou a sentir enjoos. Ela logo imaginou que o câncer tivesse se espalhado.
"Meus ciclos (menstruais) sempre foram um pouco estranhos, então não fiz a ligação entre uma coisa e outra. Depois de um mês ou dois, eu pensei 'Quem sabe?' e fiz um teste de gravidez. Deu positivo. Eu quase desmaiei", disse ela.
"Eu fiz três testes no mesmo dia e todos deram positivo. Ainda assim eu só acreditei quando meu clínico geral confirmou. Finalmente havíamos começado a jornada pela qual esperamos por tanto tempo."
"Nós dois choramos. Não contamos para ninguém no início e ainda ficamos nos perguntando se iria durar, se realmente iria acontecer."
Susan e Shane, que são pastores de uma igreja em Liverpool, agradecem aos médicos e a Deus por terem tornado seu sonho realidade.
"Nunca perdemos as esperanças de que Deus atenderia nossas preces um dia e espero que nossa história sirva de inspiração para quem ainda está esperando por seu bebê."

20/10/2010 - 08h49


segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Bebê nasce de embrião congelado há quase 20 anos

Cientistas americanos conseguiram que uma mulher de 42 anos tivesse um filho saudável a partir de um embrião que permaneceu congelado por quase 20 anos. A técnica foi aplicada no Instituto Jones de Medicina Reprodutiva, da Escola de Medicina de Eastern Virginia, em Norfolk, na Virgínia. A mulher que recebeu os embriões havia registrado uma baixa reserva ovariana, ou seja, baixo estoque de óvulos disponíveis, e fazia tratamento de fertilização havia dez anos. Os médicos descongelaram cinco embriões que haviam sido doados anonimamente por um casal que realizara o tratamento de fertilização na clínica 20 anos antes.

Dos embriões descongelados, dois sobreviveram e foram transferidos para o útero da paciente. Ao fim de uma única gravidez, a mulher deu à luz um garoto que nasceu saudável. O caso foi relatado em um artigo científico na publicação especializada "Fertility and Sterility", da Sociedade Americana para a Medicina Reprodutiva. A equipe, liderada pelo pesquisador Sergio Oehninger, disse que não conhece nenhum caso de gravidez em que um embrião humano tenha permanecido tanto tempo congelado - 19 anos e sete meses.

"Congelar embriões é uma prática que só começou a ficar frequente nos anos 1990, então este certamente estava entre os que foram congelados logo no início deste processo", explicou à BBC Brasil o diretor científico e professor honorário do Centro de Medicina Reprodutiva da Universidade de Glasgow, Richard Fleming.

"Este é sem sombra de dúvida o caso mais antigo de que já ouvi falar, e mostra como um embrião de boa qualidade pode perfeitamente se desenvolver independentemente de ter sido gerado em 1990 ou 2010."

Tempo em suspenso
O congelamento suspende biologicamente o envelhecimento das células, e os cientistas defendem que um embrião pode permanecer neste estado por décadas. Ate agora, o maior tempo que um embrião permaneceu congelado antes de ser transferido para o útero e gerado um bebê foi 13 anos, em um caso na Espanha. No Brasil, o recorde é de uma mulher do interior de São Paulo que deu à luz um bebê nascido de um embrião que ficara congelado por oito anos. Há ainda casos de pacientes que congelam suas células reprodutivas com fins terapêuticos, antes de tratamentos que podem deixá-los estéreis.

Em 2004, um casal teve um filho a partir de esperma que havia permanecido congelado por 21 anos. Nesse caso, o pai tinha congelado espermatozoides aos 17 anos de idade, antes de começar a tratar um câncer de testículo com radioterapia e quimioterapia, que o deixaram sem capacidade reprodutiva.


Fonte: http://noticias.uol.com.br/bbc/2010/10/11/bebe-nasce-de-embriao-congelado-ha-quase-20-anos.jhtm

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Homenagem ao Nobel de medicina

O anúncio do Nobel de Medicina de 2010 para Robert Edwards, criador da fertilização in vitro, fez uma brasileira de São José dos Pinhais (PR) lembrar-se do passado. "Ouço falar sobre ele desde criança." A memória é de Anna Paula Caldeira, primeiro bebê de proveta da América Latina, nascida em 7 de outubro de 1984.
"Acho que a pesquisa tem grande relevância científica, mas o principal é que o trabalho dele gerou esperanças para milhões de mães", afirma Anna Paula, formada em nutrição, mas atualmente trabalhando com marketing. "No caso da minha mãe, ela já havia concebido cinco filhos, mas quantas mães não tiveram esperança por causa do meu caso?"
A operação de fertilização da mãe, Ilza Caldeira, foi realizada por Milton Nakamura, médico falecido em 1997. "Junto com minha mãe, outras cinco mulheres também tentaram ter filhos mas não conseguiram", disse Anna Paula. "Acredito em uma força divina. Quem acaba decidindo que vai nascer é o universo, não é somente ciência."
Nascida apenas seis anos depois de Louise Joy Brown, primeiro bebê de proveta no mundo, a nutricionista pôde conhecer a britânica em 2008. "Nos encontramos em um evento ligado aos 30 anos dela aqui no Brasil", disse a paranaense."Por incrível que pareça, acho que conheço poucas pessoas que nasceram por fertilização in vitro".
Junto com minha mãe, outras cinco mulheres também tentaram ter filhos mas não conseguiram. Acredito em uma força divina. Quem acaba decidindo quem vai nascer é o universo, não é somente a ciência". Louise está atualmente com 32 anos e já tem um filho. Para Anna Paula, o momento de gerar um bebê ainda está longe e diz não sentir pressão nesse sentido.
"Nunca houve pressão para nada, nem mesmo para testes psicológicos", diz a nutricionista. "Minha mãe soube me proteger muito bem quanto a isso, quando os médicos sugeriam testes ela respondia, dizendo que eu era uma menina normal."
Mesmo com o assédio da imprensa nos anos 1980, Anna Paula ainda fala com naturalidade sobre fertilização.
"Por causa do assédio da mídia desde cedo, meus pais nunca esconderam o que aconteceu comigo, sempre soube lidar com isso", diz Anna Paula. "Durante a minha rotina, esqueço do assunto, mas sempre o caso volta à tona."
Infertilidade
Segundo a Nobel Foundation, cerca de 4 milhões de pessoas já nasceram desde 1978 graças ao método de Edwards. Nos países desenvolvidos, entre 1% e 2% dos casais apresentam problemas para ter filhos. As causas para a infertilidade podem ser fruto de más-formações nos óvulos ou nos espermatozoides. As trompas de falópio, que ligam o ovário ao útero, também podem estar obstruídas, o que impede a criação do ovo fertilizado. A técnica desenvolvida após 20 anos de pesquisa por Edwards consiste na retirada do óvulo para fertilização em laboratório. Em seguida, o material é colocado no útero da mulher e cresce normalmente, como um feto normal.
Mário Barra Do G1, em São Paulo
http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2010/10/ouco-falar-dele-desde-crianca-diz-1-bebe-de-proveta-do-brasil-sobre-nobel.html